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sábado, 29 de dezembro de 2012
Sobre Amizade e Política
Não sou amigo do poder e nem dos poderosos. Tenho carinho por pessoas que costumam ocupar certos espaços, quando passo a apreciar seu caráter e suas posições políticas. Não renego esse afeto diante dos revés da conjuntura e nem das guerras de posição. Também não espero favores e nem vantagens por essas relações. Para mim, amizade e política coexistem. Mas são coisas distintas!
O mito de Aquiles e Heitor e o vilipêndio ao Projeto Popular derrotado em Fortaleza
Se não pode haver pactos entre leões e homens tal qual no mito de Aquiles e Heitor. Tampouco haverá entre elite e povo. E isso fornece explicação sustentável para o insistente vilipêndio ao projeto popular vencido nas últimas eleições em Fortaleza-CE.
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
Fortaleza: O Reveillon 2013 e o protagonismo do prefeito eleito
Na verdade, nunca considerei papel da Prefeitura e muito menos do Estado realizar reveillon para beneficiar principalmente aos grandes empreendimentos ligados à hotelaria e ao Trade Turístico do Ceará. Independente de quem esteja à frente da Prefeitura. E ver o governador tomando a frente e realizando o evento que tradicionalmete é feito pela prefeitura de Fortaleza, me passa uma impressão ruim do protagonísmo do novo prefeito. Na minha humilde compreenção esperava ver o novo gestor buscando um diálogo com a gestora em fim de gestão e acertando política e diplomaticamente a realização do evento. Ver o Governador chamar arbitrariamente para si essa responsabilidade, me pareceu um tipo de desautorização ao prefeito eleito. Mas pode ter sido só impressão.
quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
O segundo escalão de Roberto Cláudio e o perfil inicial da gestão
A expectativa agora é para o anúncio do
segundo escalão do prefeito eleito de Fortaleza. Geralmente é nesse espaço
que se evidencia o caráter de barganha dos cargos administrativos com os
vereadores e políticos. E nessas trocas, geralmente a qualidade técnica e a eficiência administrativa constumam sair avariadas. Mas como ele passou bem pelo primeiro teste que
foi a escolha do primeiro escalão, está com um certo saldo positivo.
Essas nomeações vão delineando um perfil inicial para a nova
gestão. E no mais, na base aliada do seu governo tem muita gente qualificada e competente que pode perfeitamente ser aproveitada sem prejuizo da eficácia e ainda atender aos interesses de seus apoiadores.Vamos esperar para conferir!
terça-feira, 25 de dezembro de 2012
"Os loucos são os outros"?
Afinal, o que é mesmo a loucura? Quantas características de algum tipo de distúrbio psicológico você consegue identificar em amigos, pessoas próximas, conhecidos, personalidades, ou em você mesm@?Responda se "os loucos são os outros", ou somos todos nós, em alguma proporção. Analise-se com sinceridade a partir dos seguintes "indicadores":
A saber: Sintomas Psicopatas :
Principais Sintomas
1. - Encanto superficial e manipulação
Nem todos psicopatas são encantadores, mas é expressivo o grupo deles que utilizam o encanto pessoal e, conseqüentemente capacidade de manipulação de pessoas, como meio de sobrevivência social.Através do encanto superficial o psicopata acaba coisificando as pessoas, ele as usa e quando não o servem mais, descarta-as, tal como uma coisa ou uma ferramenta usada. Talvez seja esse processo de coisificação a chave para compreendermos a absoluta falta de sentimentos do psicopata para com seus semelhantes ou para com os sentimentos de seu semelhante. Transformando seu semelhante numa coisa, ela deixa de ser seu semelhante.O encanto, a sedução e a manipulação são fenômenos que se sucedem no psicopata. Partindo do princípio de que não se pode manipular alguém que não se deixe manipular, só será possível manipular alguém se esse alguém foi antes seduzido.
2. - Mentiras sistemáticas e Comportamento fantasioso.
Embora qualquer pessoa possa mentir, temos de distinguir a mentira banal da mentira psicopática. O psicopata utiliza a mentira como uma ferramenta de trabalho. Normalmente está tão treinado e habilitado a mentir que é difícil captar quando mente. Ele mente olhando nos olhos e com atitude completamente neutra e relaxada.O psicopata não mente circunstancialmente ou esporadicamente para conseguir safar-se de alguma situação. Ele sabe que está mentindo, não se importa, não tem vergonha ou arrependimento, nem sequer sente desprazer quando mente. E mente, muitas vezes, sem nenhuma justificativa ou motivo.Normalmente o psicopata diz o que convém e o que se espera para aquela circunstância. Ele pode mentir com a palavra ou com o corpo, quando simula e teatraliza situações vantajosas para ele, podendo fazer-se arrependido, ofendido, magoado, simulando tentativas de suicídio, etc.É comum que o psicopata priorize algumas fantasias sobre circunstâncias reais. Isso porque sua personalidade é narcisística, quer ser admirado, quer ser o mais rico, mais bonito, melhor vestido. Assim, ele tenta adaptar a realidade à sua imaginação, à seu personagem do momento, de acordo com a circunstância e com sua personalidade é narcisística. Esse indivíduo pode converter-se no personagem que sua imaginação cria como adequada para atuar no meio com sucesso, propondo a todos a sensação de que estão, de fato, em frente a um personagem verdadeiro.
3. - Ausência de Sentimentos Afetuosos
Desde criança se observa, no psicopata, um acentuado desapego aos sentimentos e um caráter dissimulado. Essa pessoa não manifesta nenhuma inclinação ou sensibilidade por nada e mantém-se normalmente indiferente aos sentimentos alheios.Os laços sentimentais habituais entre familiares não existem nos psicopatas. Além disso, eles têm grande dificuldade para entender os sentimentos dos outros mas, havendo interesse próprio, podem dissimular esses sentimentos socialmente desejáveis. Na realidade são pessoas extremamente frias, do ponto de vista emocional.
4. - Amoralidade
Os psicopatas são portadores de grande insensibilidade moral, faltando-lhes totalmente juízo e consciência morais, bem como noção de ética.
5. - Impulsividade
Também por debilidade do Superego e por insensibilidade moral, o psicopata não tem freios eficientes à sua impulsividade. A ausência de sentimentos éticos e altruístas, unidos à falta de sentimentos morais, impulsiona o psicopata a cometer brutalidades, crueldades e crimes.Essa impulsividade reflete também um baixo limiar de tolerância às frustrações, refletindo-se na desproporção entre os estímulos e as respostas, ou seja, respondendo de forma exagerada diante de estímulos mínimos e triviais. Por outro lado, os defeitos de caráter costumam fazer com que o psicopata demonstre uma absoluta falta de reação frente a estímulos importantes.
6. - Incorregibilidade
Dificilmente ou nunca o psicopata aceita os benefícios da reeducação, da advertência e da correção. Podem dissimular, como dissemos, durante algum tempo seu caráter torpe e anti-social, entretanto, na primeira oportunidade voltam à tona com as falcatruas de praxe.
7. - Falta de Adaptação Social
Já nos primeiros contatos sociais o psicopata, desde criança, manifesta uma certa crueldade e tendência a atividades delituosas. A adaptação social também fica comprometida, tendo em vista a tendência acentuada do psicopata ao egocentrismo e egoísmo, características estas percebidas pelos demais e responsável pelas dificuldades de sociabilidade.Mesmo no meio familiar o psicopata tem dificuldades de adaptação. Durante o período escolar tornam-se detestáveis tanto pelos professores quanto pelos colegas, embora possam dissimular seu caráter sociopático durante algum tempo. Nos empregos a inconstância é a característica principal.
Fonte: http://psicopatasss.blogspot.com.br/2009/08/sintomas-psicopatas.html
segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
Manoel Andrade Neto nas paginas Azuis do OPOVO - Reconhecimento justo e merecido demais!
Manoel Andrade Neto
O que ele fez foi muito pouco. Tão mínimo, acredita que nem mereça menção. Na visão do professor Manoel Andrade Neto, 53 anos, os feitos e conquistas nada mais são que um reflexo do amor por uma terra chamada Cipó. De tão pequeno, o lugar nem distrito de Pentecostes (a 103 km de Fortaleza) chega a ser. Ainda assim, desse lugarejo de morada de apenas 10 famílias, partiu a ideia de modificar a vida de um povo. Manoel ousou: ao invés de seguir as carreiras dos pais, os filhos dos agricultores poderiam ser o que desejassem.
E foi desse jeito que resolveu reunir um grupo de alunos para que jovens e outros nem tanto assim ensinassem uns aos outros. Manoel seria somente o motivador. Arrumaria transporte, alimentação, livros. E na educação mútua, de troca de saberes, ensinamentos e, principalmente, de vontade de estudar, surgiu o Programa de Educação em Células Cooperativas, antes Projeto Educacional Coração de Estudante (Prece). Foram sete os primeiros alunos, em 1994, que devem se converter em mais de 25 mil participantes em 2013.
De tanto que cresceu, o Prece original deixou de ter controle sobre outras sedes abertas Brasil afora. E, apesar de ter ajudado a formular o programa, o sonho do professor é justamente não precisar mais dele. “O que eu sonho não é que o Prece cresça. O meu sonho é que a gente possa ser forte o suficiente para influenciar o desenvolvimento das escolas públicas. Minha vontade era que, daqui a dez anos, dissesse que o Prece foi feito por um grupo de pessoas que sonhou, mas que hoje a gente não precise mais dele, porque a escola é muito boa”, ensina.
O POVO – Vamos começar pelo início. O Prece surgiu em 1994, na comunidade rural de Cipó, em Pentecoste, com apenas sete estudantes. O que incentivou o senhor a ter essa ideia?
Manoel Andrade Neto – Bem, o Prece nasceu de uma mistura de coisas. De uma experiência que eu tive quando eu tinha uns 16 anos. Eu saí do interior com noves anos para morar na casa dos meus avós, em Fortaleza. Eles tinham fugido da seca na década de 1940 e acabaram no bairro Panamericano. Ela (avó) era uma mulher muito obstinada, queria muito que os filhos estudassem, mas eles não puderam estudar muito. Meu pai mal assina o nome. E quando eu tinha uns 16 anos, eu estudava numa escola de bairro, no Panamericano, e conheci um jovem que me convidou para participar de um grupo. “O que o grupo faz?”, eu perguntei. “A gente estuda no (bairro) Jóquei Clube”, ele disse. Ele me perguntou o que eu mais gostava de estudar e eu falei que era Biologia. A minha ligação com o Interior? Ele disse: “Ah, você gosta de Biologia, então você vai ensinar a gente Biologia”. Cada um tinha uma função no grupo. Ele era de Matemática, tinha uma pessoa da História... Então, depois eu criei outro grupo, com outros amigos da escola, e começamos a estudar. Quando eu já terminava o ensino médio, nós estudávamos ali próximo ao Liceu (do Ceará, no bairro Jacarecanga), na casa de um pai de um amigo nosso. E eu queria era estudar. Tinha tentado várias coisas de trabalho. Vendi maçã na rua, na praça José de Alencar; vendi livros; fui do exército, mas nada dava certo. Essa experiência de grupo de estudo foi muito forte. Nós fizemos vestibular e do nosso grupo, apenas um não foi aprovado. Eu fui aprovado para Química. Entrei na universidade e nosso grupo se desfez.
OP – E qual era a situação financeira da sua família?
Manoel – Meus pais eram pobres, são agricultores, bem simples, e meus avós também.
OP – E foi a experiência do grupo de estudo da casa próxima ao Liceu que estimulou o senhor?
Manoel – A experiência foi muito forte mesmo. Aquilo ficou na minha cabeça. Terminei a Química, fui trabalhar fora, voltei, fiz mestrado e quando comecei o doutorado e ganhei um pouco mais de dinheiro, comecei a retornar para Pentecoste nos fins de semana. Quando era menino, passava quatro meses de férias lá. Cipó não chega nem a ser um distrito, é uma localidadezinha que nem tinha escola quando eu tinha nove anos de idade. Eu fui alfabetizado na casa de uma vizinha. Comprei uma moto, então todo o fim de semana, eu voltava para lá. Eu queria muito ajudar a comunidade.
OP – Foi quando começou com o grupo de estudo?
Manoel – Eu comecei a organizar campeonatos de futebol. Ia para os jogos aos domingos, comecei a organizar campeonatos de todos os times da área rural de Pentecoste. Mas, com o passar do tempo, eu já estava cansado de organizar. Ficava revoltado ao ver a dependência muito grande da política, principalmente na época de eleição. As pessoas ficavam vendendo voto.
OP – Para conseguir jogar?
Manoel – Não, por outros motivos. Mas eu pensei que tinha que fazer alguma coisa que fosse diferente do futebol. Eu tive a ideia de convidar algumas pessoas para montar um grupo de estudos, inspirado na ideia do meu amigo que me convidou para o grupo do Jóquei Clube. O nome dele era Flávio Barbosa Barroso, ele faleceu há dois anos. No Cipó, chamamos vários jovens para estudar debaixo do pé de juazeiro, mas somente seis homens e uma mulher aceitaram.
OP – Como eram os estudos?
Manoel – Eu não posso dizer que eu ensinava, eu era o estimulador. O que eu fiz? Eu botei os meninos para estudar juntos. Eu sabia que não era a minha aula que ia resolver, eles tinham que ter estímulo, motivação. E como eu ajudava? Eu os colocava no meu carro, trazia para a universidade, para mostrar o museu, visitar os cursos. E eles me viram como alguém da região, que não era da mesma idade porque eles eram mais novos, mas como alguém que tinha tido sucesso. Não era um cara rico, mas tinha um emprego, eu já era professor da universidade (UFC) desde essa época. Eu disse a eles que eles também podiam entrar na universidade, que eles podiam ter sucesso na vida. E eles tinham muita vontade de mudar de vida.
OP – Eles tinham terminado o ensino médio ou estavam cursando?
Manoel – Não, não. Um tinha 20 anos e tinha abandonado a escola na 4ª série. Outro estava com 18 anos e fazendo a 6ª série. Tinha outro com 18 anos também, fazendo a 6ª série, mas ainda estava na escola. Só um tinha terminado o ensino médio, mas pelo sistema supletivo. Eram jovens completamente excluídos educacionalmente. Numa casa de farinha que a gente tinha lá (no Cipó), que estava abandonada, eles começaram a ensinar uns aos outros. O sucesso deles foi atraindo outros jovens também. E alguns desses jovens passaram a morar na casa de farinha.
OP – Numa cidade pequena, isso não gerou comentários maldosos?
Manoel – Gerou sim. Porque alguns pais não gostavam muito da ideia de eles estudarem. Queriam que eles trabalhassem no campo e os jovens queriam mudar de vida. Eles também se sentiam rejeitados na própria comunidade, então ir para lá (casa de farinha) era uma forma de refúgio. Porque alguns desses jovens ficavam sem fazer nada. Aí o pessoal do Interior dizia que era perda de tempo, porque não valorizavam muito isso. E começaram a criticar, porque os meninos estavam morando junto, acharam que eram homossexuais. Os jovens começaram, então, a se agregar. Foi nesse período que eles se fortaleceram. Depois de dois anos, um desses estudantes, o Francisco Antônio, o Toinho, fez vestibular para Pedagogia e foi aprovado. Foi uma festa.
OP – Foi daí que a comunidade passou a valorizar a ideia?
Manoel – Quando ele entrou na universidade, conseguimos residência para ele, se alimentava no restaurante universitário e retornava todo fim de semana comigo. Era um jovem da comunidade, da idade deles, e isso trouxe uma grande motivação para a comunidade. Seis meses depois, o Francisco José também fez vestibular e foi aprovado na UFC, no último vestibular semestral. Estávamos com dois estudantes aprovados no vestibular. Depois, mais dois outros estudantes foram aprovados na UFC. Em 1998, tínhamos quatro estudantes na UFC, retornando todo fim de semana para ajudar outros estudantes. A gente criou o Projeto Educacional Coração de Estudante (Prece), por causa da música (Coração de Estudante) do Milton Nascimento. Esse nome pegou, e nós criamos uma instituição registrada. Mas com o tempo, o nome da instituição ficou sem sentido. A coisa cresceu tanto, criou tantos projetos, que fomos obrigados a mudar de nome em 2004. O projeto foi registrado na Pró-reitoria de Extensão (da UFC). Em 2004, mudado de projeto para programa de extensão, porque tinham vários (projetos) já. O Prece ficou Programa de Educação em Células Cooperativas. Só que o nome Prece significa muito mais que um programa. Ele virou uma marca. Foram criadas mais de 10 instituições a partir do Prece. Tem uma agência de desenvolvimento local, foi criado um programa de rádio, que hoje não existe mais. Esse ingresso dos meninos na universidade e o retorno deles, nos fins de semana comigo fez com que o programa crescesse muito.
OP – E foi daí que se criaram os Preces em Fortaleza.
Manoel – Isso. Criou-se um no Benfica, no Pirambu e depois tiveram vários núcleos que foram se multiplicando.
OP – O Prece nasce do debaixo de um pé de juazeiro, sem apoio de ninguém deu muito certo. O que isso significa para o senhor?
Manoel – É uma pergunta complexa (pausa). O Prece para mim é uma prova contundente que a interação, a cooperação e a solidariedade entre as pessoas são forças e instrumentos fortes para a aprendizagem. É uma compreensão que eu tenho com muita clareza. A gente aprende muito interagindo com as pessoas. Muito mais que você simplesmente recebendo aula. Não tenho dúvidas em relação a isso.
OP – Quem financiava o Prece? Ele precisou de dinheiro no início?
Manoel – No início, as despesas do Prece eram de coisas que não eram contabilizadas. Os meninos precisavam vir fazer prova em Fortaleza. Aí eu trazia no meu carro e passavam dois dias na minha casa. Livros, eu pedia aos meus amigos, como doações, e levava. Depois, os meninos entraram na universidade e precisaram de uma bolsa para viver. E a universidade foi ajudando com bolsa. Começou a aumentar o número de alunos que passou no vestibular e meu carro já não dava para levá-los. A UFC, então, deu o transporte num primeiro momento, depois já não podia dar mais. A gente então tinha que alugar carro, ônibus.
OP – Hoje, o Prece tem quantos estudantes?
Manoel – É difícil dar essa resposta. Nós temos ações mais organizadas em Pentecostes, Apuiarés, Paramoti, Umiri. O Prece é uma entidade descentralizada.
OP – Que papel o senhor pensa em ainda alcançar com o Prece?
Manoel – A educação é um dever do estado. Então, nós hoje estamos cada vez mais envolvidos com o estado, sendo a palavra “estado” no sentido geral. Estamos hoje ajudando o estado com a nossa experiência, a multiplicar uma ideia. Não é alguém de fora. Se ele não tivesse deficiência, não precisaria da nossa ajuda. Estamos trabalhando em cima disso. O primeiro desafio foi a UFC, que olhou o Prece e pensou: “será que podemos levar o gene do Prece para a graduação?”. Assim nasceu o Programa de Aprendizagem Cooperativa, da graduação da UFC. Hoje temos o programa com 250 bolsistas de vários cursos, em todos os cantos da UFC. Foi criado também na Coordenadoria de Protagonismo Estudantil da Seduc (Secretaria da Educação do Ceará) um movimento para estimular estudantes de escola pública a também montarem grupos de estudos.
OP – O senhor achava que o Prece ganharia uma dimensão tão importante?
Manoel – Não, desse jeito não. Eu tinha uma visão de que os meninos poderiam entrar na universidade, podiam mudar de vida, ser agentes de transformação das suas comunidades.
OP – Quais foram os louros colhidos pelo Prece para além da aprovação do vestibular?
Manoel – Através desses ‘matutos do interior’, nós temos um grande processo de multiplicação da rede. Já saímos do Estado do Ceará e tem um programa criado em Mato Grosso inspirado no daqui. Os professores estão sendo contaminados com a metodologia da aprendizagem cooperativa. Temos uma escola de educação profissional lá em Pentencoste. Este ano, pretendemos atingir 25 mil alunos. Tudo isso aconteceu por conta daqueles primeiros sete estudantes que acreditaram e conseguiram compartilhar o que sabiam. Dos sete estudantes, um abandonou e os outros seis se graduaram. Um deles, terminou agora o doutorado em química. Esse menino tinha abandonado os estudos na quarta série e estava com 20 anos e hoje é pesquisador na Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária). Outro menino que estava na sexta série, com 18 anos, hoje está terminando o doutorado em Fitopatologia, na Universidade Rural de Pernambuco. O outro é agrônomo, a outra é professora de História, um outro é mestre em Educação e outro é graduado em Teologia. Só um que desistiu. O mais importante não é isso, não. Se só eles tivessem tido sucesso, era legal. Mas nós contabilizando cerca de 500 estudantes, todos lá de Pentecoste, que passaram pelos grupos do Cipó, que estão na universidade a partir desse movimento.
OP – O Prece dá a oportunidade a uma pessoa que mora no interior de estudar para ser o que ela quiser, não é isso?
Manoel – O que ela quiser. Agora, o meu sonho é que a gente possa ser forte o suficiente para influenciar o desenvolvimento das escolas públicas, entendeu? A gente sonha que a gente possa influenciar o desenvolvimento das escolas públicas, para que toda criança tenha uma escola pública de qualidade desde o momento que ela começa a estudar. Entenda: se nós tivermos uma população mais educada, ela vai saber exigir mais dos governos. Ao invés de querer tomar o papel de educador, a gente tem é de dizer assim: eu vou votar num prefeito, num governador que vai ter um olhar na educação, porque eu sei que desenvolvendo a educação, tudo vai se desenvolver. A gente vai montar o Prece enquanto ele for preciso. A visão é de que é preciso melhorar a educação brasileira e não assumir o papel que é de lugar da escola.
OP – O senhor considera sua formação um exemplo e conquista?
Manoel – Acho que essa titulação acadêmica que eu conquistei foi uma coisa que aconteceu paralelo. O Prece foi um trabalho de extensão, que foi feito movido pelo coração. O que eu aprendi na academia não tem influência direta aqui. Agora, o mundo vive disso, os títulos valem alguma coisa. Talvez as relações que eu construí na pós-graduação tenham influenciado... Nada que foi feito aqui nasceu do banco da academia. Nasceu de uma paixão pela educação, de uma relação com o lugar, entendeu?
OP – O senhor acha que mudaram as prioridades das pessoas das comunidades onde o programa atuou?
Manoel – Na área da educação, sem dúvida, o impacto do Prece é grande. Hoje, os jovens têm o desejo de ir para a universidade. Em qualquer comunidade rural, tem muito menino sonhando com isso. Porque eles têm vários colegas na universidade e que mudaram de vida. O que a gente gostaria muito de impactar era na renda, na politização. Mas se o cara não tem como se sustentar, ele fica sempre dependente. A gente gostaria de afetar, mas isso pode levar 20, 30 ou 50 anos. Na educação, já afetou.
OP – Aonde o Prece quer chegar?
Manoel – Eu posso responder onde eu gostaria que ele chegasse. Quando eu penso num futuro para o Prece, não penso em criar um programa em qualquer lugar. A ideia não é chegar ao mundo. Se nós conseguíssemos que esse caso de Pentecoste desse certo – e esse dar certo significa não só o menino ir para a universidade, mas criar uma situação com que o aluno vá e volte, com apoio de governo e ver as escolas funcionando a contento - acho que isso já é um sonho que vale à pena. A toda criança que entra na escola é dada a oportunidade de aprender e de usar a aprendizagem para a própria vida. Se a gente puder contribuir com isso, eu me sentiria satisfeito. Porque, a partir dessas escolas, todas as outras coisas acontecerão.
Fonte: Jornal O Povo (Páginas azuis).
Encantador de alunos
De filho de agricultores ao pós-doutorado em Química, o caminho de transformação da comunidade de PentecosteO que ele fez foi muito pouco. Tão mínimo, acredita que nem mereça menção. Na visão do professor Manoel Andrade Neto, 53 anos, os feitos e conquistas nada mais são que um reflexo do amor por uma terra chamada Cipó. De tão pequeno, o lugar nem distrito de Pentecostes (a 103 km de Fortaleza) chega a ser. Ainda assim, desse lugarejo de morada de apenas 10 famílias, partiu a ideia de modificar a vida de um povo. Manoel ousou: ao invés de seguir as carreiras dos pais, os filhos dos agricultores poderiam ser o que desejassem.
E foi desse jeito que resolveu reunir um grupo de alunos para que jovens e outros nem tanto assim ensinassem uns aos outros. Manoel seria somente o motivador. Arrumaria transporte, alimentação, livros. E na educação mútua, de troca de saberes, ensinamentos e, principalmente, de vontade de estudar, surgiu o Programa de Educação em Células Cooperativas, antes Projeto Educacional Coração de Estudante (Prece). Foram sete os primeiros alunos, em 1994, que devem se converter em mais de 25 mil participantes em 2013.
De tanto que cresceu, o Prece original deixou de ter controle sobre outras sedes abertas Brasil afora. E, apesar de ter ajudado a formular o programa, o sonho do professor é justamente não precisar mais dele. “O que eu sonho não é que o Prece cresça. O meu sonho é que a gente possa ser forte o suficiente para influenciar o desenvolvimento das escolas públicas. Minha vontade era que, daqui a dez anos, dissesse que o Prece foi feito por um grupo de pessoas que sonhou, mas que hoje a gente não precise mais dele, porque a escola é muito boa”, ensina.
O POVO – Vamos começar pelo início. O Prece surgiu em 1994, na comunidade rural de Cipó, em Pentecoste, com apenas sete estudantes. O que incentivou o senhor a ter essa ideia?
Manoel Andrade Neto – Bem, o Prece nasceu de uma mistura de coisas. De uma experiência que eu tive quando eu tinha uns 16 anos. Eu saí do interior com noves anos para morar na casa dos meus avós, em Fortaleza. Eles tinham fugido da seca na década de 1940 e acabaram no bairro Panamericano. Ela (avó) era uma mulher muito obstinada, queria muito que os filhos estudassem, mas eles não puderam estudar muito. Meu pai mal assina o nome. E quando eu tinha uns 16 anos, eu estudava numa escola de bairro, no Panamericano, e conheci um jovem que me convidou para participar de um grupo. “O que o grupo faz?”, eu perguntei. “A gente estuda no (bairro) Jóquei Clube”, ele disse. Ele me perguntou o que eu mais gostava de estudar e eu falei que era Biologia. A minha ligação com o Interior? Ele disse: “Ah, você gosta de Biologia, então você vai ensinar a gente Biologia”. Cada um tinha uma função no grupo. Ele era de Matemática, tinha uma pessoa da História... Então, depois eu criei outro grupo, com outros amigos da escola, e começamos a estudar. Quando eu já terminava o ensino médio, nós estudávamos ali próximo ao Liceu (do Ceará, no bairro Jacarecanga), na casa de um pai de um amigo nosso. E eu queria era estudar. Tinha tentado várias coisas de trabalho. Vendi maçã na rua, na praça José de Alencar; vendi livros; fui do exército, mas nada dava certo. Essa experiência de grupo de estudo foi muito forte. Nós fizemos vestibular e do nosso grupo, apenas um não foi aprovado. Eu fui aprovado para Química. Entrei na universidade e nosso grupo se desfez.
OP – E qual era a situação financeira da sua família?
Manoel – Meus pais eram pobres, são agricultores, bem simples, e meus avós também.
OP – E foi a experiência do grupo de estudo da casa próxima ao Liceu que estimulou o senhor?
Manoel – A experiência foi muito forte mesmo. Aquilo ficou na minha cabeça. Terminei a Química, fui trabalhar fora, voltei, fiz mestrado e quando comecei o doutorado e ganhei um pouco mais de dinheiro, comecei a retornar para Pentecoste nos fins de semana. Quando era menino, passava quatro meses de férias lá. Cipó não chega nem a ser um distrito, é uma localidadezinha que nem tinha escola quando eu tinha nove anos de idade. Eu fui alfabetizado na casa de uma vizinha. Comprei uma moto, então todo o fim de semana, eu voltava para lá. Eu queria muito ajudar a comunidade.
OP – Foi quando começou com o grupo de estudo?
Manoel – Eu comecei a organizar campeonatos de futebol. Ia para os jogos aos domingos, comecei a organizar campeonatos de todos os times da área rural de Pentecoste. Mas, com o passar do tempo, eu já estava cansado de organizar. Ficava revoltado ao ver a dependência muito grande da política, principalmente na época de eleição. As pessoas ficavam vendendo voto.
OP – Para conseguir jogar?
Manoel – Não, por outros motivos. Mas eu pensei que tinha que fazer alguma coisa que fosse diferente do futebol. Eu tive a ideia de convidar algumas pessoas para montar um grupo de estudos, inspirado na ideia do meu amigo que me convidou para o grupo do Jóquei Clube. O nome dele era Flávio Barbosa Barroso, ele faleceu há dois anos. No Cipó, chamamos vários jovens para estudar debaixo do pé de juazeiro, mas somente seis homens e uma mulher aceitaram.
OP – Como eram os estudos?
Manoel – Eu não posso dizer que eu ensinava, eu era o estimulador. O que eu fiz? Eu botei os meninos para estudar juntos. Eu sabia que não era a minha aula que ia resolver, eles tinham que ter estímulo, motivação. E como eu ajudava? Eu os colocava no meu carro, trazia para a universidade, para mostrar o museu, visitar os cursos. E eles me viram como alguém da região, que não era da mesma idade porque eles eram mais novos, mas como alguém que tinha tido sucesso. Não era um cara rico, mas tinha um emprego, eu já era professor da universidade (UFC) desde essa época. Eu disse a eles que eles também podiam entrar na universidade, que eles podiam ter sucesso na vida. E eles tinham muita vontade de mudar de vida.
OP – Eles tinham terminado o ensino médio ou estavam cursando?
Manoel – Não, não. Um tinha 20 anos e tinha abandonado a escola na 4ª série. Outro estava com 18 anos e fazendo a 6ª série. Tinha outro com 18 anos também, fazendo a 6ª série, mas ainda estava na escola. Só um tinha terminado o ensino médio, mas pelo sistema supletivo. Eram jovens completamente excluídos educacionalmente. Numa casa de farinha que a gente tinha lá (no Cipó), que estava abandonada, eles começaram a ensinar uns aos outros. O sucesso deles foi atraindo outros jovens também. E alguns desses jovens passaram a morar na casa de farinha.
OP – Numa cidade pequena, isso não gerou comentários maldosos?
Manoel – Gerou sim. Porque alguns pais não gostavam muito da ideia de eles estudarem. Queriam que eles trabalhassem no campo e os jovens queriam mudar de vida. Eles também se sentiam rejeitados na própria comunidade, então ir para lá (casa de farinha) era uma forma de refúgio. Porque alguns desses jovens ficavam sem fazer nada. Aí o pessoal do Interior dizia que era perda de tempo, porque não valorizavam muito isso. E começaram a criticar, porque os meninos estavam morando junto, acharam que eram homossexuais. Os jovens começaram, então, a se agregar. Foi nesse período que eles se fortaleceram. Depois de dois anos, um desses estudantes, o Francisco Antônio, o Toinho, fez vestibular para Pedagogia e foi aprovado. Foi uma festa.
OP – Foi daí que a comunidade passou a valorizar a ideia?
Manoel – Quando ele entrou na universidade, conseguimos residência para ele, se alimentava no restaurante universitário e retornava todo fim de semana comigo. Era um jovem da comunidade, da idade deles, e isso trouxe uma grande motivação para a comunidade. Seis meses depois, o Francisco José também fez vestibular e foi aprovado na UFC, no último vestibular semestral. Estávamos com dois estudantes aprovados no vestibular. Depois, mais dois outros estudantes foram aprovados na UFC. Em 1998, tínhamos quatro estudantes na UFC, retornando todo fim de semana para ajudar outros estudantes. A gente criou o Projeto Educacional Coração de Estudante (Prece), por causa da música (Coração de Estudante) do Milton Nascimento. Esse nome pegou, e nós criamos uma instituição registrada. Mas com o tempo, o nome da instituição ficou sem sentido. A coisa cresceu tanto, criou tantos projetos, que fomos obrigados a mudar de nome em 2004. O projeto foi registrado na Pró-reitoria de Extensão (da UFC). Em 2004, mudado de projeto para programa de extensão, porque tinham vários (projetos) já. O Prece ficou Programa de Educação em Células Cooperativas. Só que o nome Prece significa muito mais que um programa. Ele virou uma marca. Foram criadas mais de 10 instituições a partir do Prece. Tem uma agência de desenvolvimento local, foi criado um programa de rádio, que hoje não existe mais. Esse ingresso dos meninos na universidade e o retorno deles, nos fins de semana comigo fez com que o programa crescesse muito.
OP – E foi daí que se criaram os Preces em Fortaleza.
Manoel – Isso. Criou-se um no Benfica, no Pirambu e depois tiveram vários núcleos que foram se multiplicando.
OP – O Prece nasce do debaixo de um pé de juazeiro, sem apoio de ninguém deu muito certo. O que isso significa para o senhor?
Manoel – É uma pergunta complexa (pausa). O Prece para mim é uma prova contundente que a interação, a cooperação e a solidariedade entre as pessoas são forças e instrumentos fortes para a aprendizagem. É uma compreensão que eu tenho com muita clareza. A gente aprende muito interagindo com as pessoas. Muito mais que você simplesmente recebendo aula. Não tenho dúvidas em relação a isso.
OP – Quem financiava o Prece? Ele precisou de dinheiro no início?
Manoel – No início, as despesas do Prece eram de coisas que não eram contabilizadas. Os meninos precisavam vir fazer prova em Fortaleza. Aí eu trazia no meu carro e passavam dois dias na minha casa. Livros, eu pedia aos meus amigos, como doações, e levava. Depois, os meninos entraram na universidade e precisaram de uma bolsa para viver. E a universidade foi ajudando com bolsa. Começou a aumentar o número de alunos que passou no vestibular e meu carro já não dava para levá-los. A UFC, então, deu o transporte num primeiro momento, depois já não podia dar mais. A gente então tinha que alugar carro, ônibus.
OP – Hoje, o Prece tem quantos estudantes?
Manoel – É difícil dar essa resposta. Nós temos ações mais organizadas em Pentecostes, Apuiarés, Paramoti, Umiri. O Prece é uma entidade descentralizada.
OP – Que papel o senhor pensa em ainda alcançar com o Prece?
Manoel – A educação é um dever do estado. Então, nós hoje estamos cada vez mais envolvidos com o estado, sendo a palavra “estado” no sentido geral. Estamos hoje ajudando o estado com a nossa experiência, a multiplicar uma ideia. Não é alguém de fora. Se ele não tivesse deficiência, não precisaria da nossa ajuda. Estamos trabalhando em cima disso. O primeiro desafio foi a UFC, que olhou o Prece e pensou: “será que podemos levar o gene do Prece para a graduação?”. Assim nasceu o Programa de Aprendizagem Cooperativa, da graduação da UFC. Hoje temos o programa com 250 bolsistas de vários cursos, em todos os cantos da UFC. Foi criado também na Coordenadoria de Protagonismo Estudantil da Seduc (Secretaria da Educação do Ceará) um movimento para estimular estudantes de escola pública a também montarem grupos de estudos.
OP – O senhor achava que o Prece ganharia uma dimensão tão importante?
Manoel – Não, desse jeito não. Eu tinha uma visão de que os meninos poderiam entrar na universidade, podiam mudar de vida, ser agentes de transformação das suas comunidades.
OP – Quais foram os louros colhidos pelo Prece para além da aprovação do vestibular?
Manoel – Através desses ‘matutos do interior’, nós temos um grande processo de multiplicação da rede. Já saímos do Estado do Ceará e tem um programa criado em Mato Grosso inspirado no daqui. Os professores estão sendo contaminados com a metodologia da aprendizagem cooperativa. Temos uma escola de educação profissional lá em Pentencoste. Este ano, pretendemos atingir 25 mil alunos. Tudo isso aconteceu por conta daqueles primeiros sete estudantes que acreditaram e conseguiram compartilhar o que sabiam. Dos sete estudantes, um abandonou e os outros seis se graduaram. Um deles, terminou agora o doutorado em química. Esse menino tinha abandonado os estudos na quarta série e estava com 20 anos e hoje é pesquisador na Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária). Outro menino que estava na sexta série, com 18 anos, hoje está terminando o doutorado em Fitopatologia, na Universidade Rural de Pernambuco. O outro é agrônomo, a outra é professora de História, um outro é mestre em Educação e outro é graduado em Teologia. Só um que desistiu. O mais importante não é isso, não. Se só eles tivessem tido sucesso, era legal. Mas nós contabilizando cerca de 500 estudantes, todos lá de Pentecoste, que passaram pelos grupos do Cipó, que estão na universidade a partir desse movimento.
OP – O Prece dá a oportunidade a uma pessoa que mora no interior de estudar para ser o que ela quiser, não é isso?
Manoel – O que ela quiser. Agora, o meu sonho é que a gente possa ser forte o suficiente para influenciar o desenvolvimento das escolas públicas, entendeu? A gente sonha que a gente possa influenciar o desenvolvimento das escolas públicas, para que toda criança tenha uma escola pública de qualidade desde o momento que ela começa a estudar. Entenda: se nós tivermos uma população mais educada, ela vai saber exigir mais dos governos. Ao invés de querer tomar o papel de educador, a gente tem é de dizer assim: eu vou votar num prefeito, num governador que vai ter um olhar na educação, porque eu sei que desenvolvendo a educação, tudo vai se desenvolver. A gente vai montar o Prece enquanto ele for preciso. A visão é de que é preciso melhorar a educação brasileira e não assumir o papel que é de lugar da escola.
OP – O senhor considera sua formação um exemplo e conquista?
Manoel – Acho que essa titulação acadêmica que eu conquistei foi uma coisa que aconteceu paralelo. O Prece foi um trabalho de extensão, que foi feito movido pelo coração. O que eu aprendi na academia não tem influência direta aqui. Agora, o mundo vive disso, os títulos valem alguma coisa. Talvez as relações que eu construí na pós-graduação tenham influenciado... Nada que foi feito aqui nasceu do banco da academia. Nasceu de uma paixão pela educação, de uma relação com o lugar, entendeu?
OP – O senhor acha que mudaram as prioridades das pessoas das comunidades onde o programa atuou?
Manoel – Na área da educação, sem dúvida, o impacto do Prece é grande. Hoje, os jovens têm o desejo de ir para a universidade. Em qualquer comunidade rural, tem muito menino sonhando com isso. Porque eles têm vários colegas na universidade e que mudaram de vida. O que a gente gostaria muito de impactar era na renda, na politização. Mas se o cara não tem como se sustentar, ele fica sempre dependente. A gente gostaria de afetar, mas isso pode levar 20, 30 ou 50 anos. Na educação, já afetou.
OP – Aonde o Prece quer chegar?
Manoel – Eu posso responder onde eu gostaria que ele chegasse. Quando eu penso num futuro para o Prece, não penso em criar um programa em qualquer lugar. A ideia não é chegar ao mundo. Se nós conseguíssemos que esse caso de Pentecoste desse certo – e esse dar certo significa não só o menino ir para a universidade, mas criar uma situação com que o aluno vá e volte, com apoio de governo e ver as escolas funcionando a contento - acho que isso já é um sonho que vale à pena. A toda criança que entra na escola é dada a oportunidade de aprender e de usar a aprendizagem para a própria vida. Se a gente puder contribuir com isso, eu me sentiria satisfeito. Porque, a partir dessas escolas, todas as outras coisas acontecerão.
Fonte: Jornal O Povo (Páginas azuis).
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
PC do B, PDT e PSB na Gestão de Roberto Cláudio
Gostei dos espaços entregues ao PDT, PSB e PC do B no primeiro escalão da nova gestão municipal de Fortaleza. Os nomes indicados foram de grande nível e possibilitarão um debate oxigenado acerca dos caminhos administrativos e das políticas públicas na nossa capital. Destaque especial para Ivo Gomes (PSB) na Secretaria de Educação do Município. Afinal, depois de criticar ferrenhamente o desempenho desse setor na gestão de Luzianne Lins, Ivo teve a coragem de assumir a pasta e agora terá a oportunidade de implementar o que afirmava faltar na gestão passada. O futuro promete!
Perder com decência é importante. Ganhar com ela, também!
A conturbada eleição para a prefeitura de Fortaleza nos mostrou que nosso modelo democrático ainda é muito imperfeito e deixa margens à várias ações questionáveis. Seja na justiça eleitoral, na mídia, nas ruas e ou nas redes sociais é importante que "ganhadores" e "perdedores" manifestem suas análises sobre os acontecimentos que "dividiram Fortaleza ao meio" nas últimas eleições. E que "ganhem" e "percam" com decência! Quem não pode perder é o povo! E isso sim, será indecente se acontecer!
Quanto ao jornalísmo do O Povo, creio ser desnecessário registrar o " leve riso de canto de boca, do prefeito eleito de Fortaleza, Roberto Cláudio" ao comentar a ação do PT contra sua eleição. A não ser que a intenção de seu jornalísmo esteja voltada para o fomento à animosidade crescente entre os grupos políticos locais e para a divulgação de um certo "cinísmo" do Prefeito eleito. Se nenhuma dessas intenções estão presentes na sua matéria, penso que foi infeliz tal registro.
Mais no Link: http://www.opovo.com.br/app/opovo/politica/2012/12/20/noticiasjornalpolitica,2975161/sobre-acao-prefeito-eleito-cobra-que-pt-perca-com-decencia.shtml
Quanto ao jornalísmo do O Povo, creio ser desnecessário registrar o " leve riso de canto de boca, do prefeito eleito de Fortaleza, Roberto Cláudio" ao comentar a ação do PT contra sua eleição. A não ser que a intenção de seu jornalísmo esteja voltada para o fomento à animosidade crescente entre os grupos políticos locais e para a divulgação de um certo "cinísmo" do Prefeito eleito. Se nenhuma dessas intenções estão presentes na sua matéria, penso que foi infeliz tal registro.
Mais no Link: http://www.opovo.com.br/app/opovo/politica/2012/12/20/noticiasjornalpolitica,2975161/sobre-acao-prefeito-eleito-cobra-que-pt-perca-com-decencia.shtml
Élcio Batista - Uma opção animadora para a Coordenadoria de Juventude da Prefeitura de Fortaleza
Gostei do anúncio de Élcio Batista para a Coordenadoria das Juventudes. É um ótimo nome! Agora, é acreditar na qualidade de Élcio, na sua capilaridade e na sua condição de inovar. Capacidade e conteúdo para tanto, ele tem. Outra aparente vantagem é que o mesmo conhece muito bem o Projeto CUCA com o qual já colaborou. E é também conhecedor das diversas variáveis que envolvem e determinam os problemas e as buscas de soluções para a temática das juventudes.
Sem dúvida, o estilo de condução da pasta mudou completamente e pouco ou nada restará da forma que a Coordenadoria vinha sendo conduzida nos últimos oito anos. Mas certamente não perderá sensibilidade social e nível político. A escolha me agradou bastante!
Parabéns ao Élcio e vamos de imediato retomar os debates e os trabalhos. O Crack avança! O desemprego juvenil também, a violência dizima a juventude que carece de qualificação profissional e ainda mais acesso ás políticas públicas.
A Coordenadoria precisa avançar no tocante à intersetorialidade das ações governamentais voltadas para os jovens. E programas como o CRED Jovem e áreas como a Economia Criativa voltada para o aproveitamento e potencialização dos talentos juvenis necessitam de atenção imediata.
Vamos aguardar os primeiros movimentos do sociólogo!
quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
Sobre certas crises envolvendo Casa Grande e Feitor
Sempre tive muita dificuldade de apoiar ou
mesmo solidarizar-me com repressores. Sempre considerei que os mesmos
jamais serão confiáveis. E tenho muitas dúvidas se seus interesses
chegam a convergir em algum instante com os interesses dos oprimidos e
por estes reprimidos. Quando os vejo em choque com o poder que os
instrumentaliza contra o povo, tenho grande tendência a ver isso como
uma pequena divergência no quintal da
casa grande entre o feitor e o senhor, divergindo sobre métodos de
tortura, o melhor chicote a ser empregado nas costas dos escravos,
melhor remuneração para o feitor e outras coisas do gênero. Deve ser
preconceito meu. Mas é assim que tenho percebido essas coisas. Vou
refletir e estudar mais! Principalmente vou rever "Guerra de posição" em
Gramsci pra tentar perceber importância tática ou estratégica no apoio à
feitores aparentemente rebelados contra a Casa Grande.
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