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domingo, 15 de novembro de 2015

MAIS NA CIDADE DO QUE EM SI


Inquietação e desconforto lhe sacudiam a alma naquelas horas pesadas. Uma angústia dessas que invadem os limites da zona segura dos pensamentos certeiros. Nunca temera um front. E continuava assim. Mas o tempo se apoia no vento quente que arremessa as folhas para o lado oposto da árvore da vida. Tão limpo o chão e a mente neste terreiro de festas, celebrações e batalhas. Prédios se erguem de encontro ao céu e o arranham sob o olhar atento do poeta. E no final, a chave de tudo se encontra no cofre do espírito cansado que se levanta mesmo assim. Tão bonita a sua história para que a negue, ela lhe diz. Não percebe que a história está longe do fim. E reinventar-se não significa negar a sua história ou a si. E o quanto já tem de si na cidade e da cidade em si? Se pergunta do alto do quinto andar de um antigo edifício do centro abandonado da cidade calada, deserta, contida, desperta e ciente do seu imprevisível e constante devir.

DJ de S.

Inception

"Quem vem das ruas não joga fácil"

 

sábado, 14 de novembro de 2015

Remember

E o mundo, cada vez mais perigosamente belo, com as suas contradições e consequências, com o seu caudaloso devir. Causa frio na espinha e aperto no coração. É a história se fazendo bem na nossa frente, em outras pátrias, ou no nosso torrão. Também tem a covardia; tem a solidariedade; e a indignação. É belo e perigoso como uma rosa atômica entre o céu e o chão. E as lágrimas, elas lavam a dor, mas, somente elas, não mudam a situação. E "Remember", foram muitas messejanas que criaram lampião.
 DJ de S.

Noturno Girassol

Ela vestia preto, e falava muito como de costume. Mas, nessa noite trazia algo de mais doce do que o seu próprio beijo. E novamente voltamos às ruas semi-vazias e passeamos a 30 por hora na beira-mar. A trilha sonora ficou por sua conta; e o carro deslizava seduzido pela atmosfera interna e pela cidade que passava lentamente pela janela. Também fomos a um charmoso e underground bar do subúrbio, e fizemos fumaça sob o luar. Preenchemos com poesia e prazer mais uma das nossas muitas noites em comum. E havia algo de novo naquele jogo de sombra e luz. Era como se a noite se jogasse dengosa sobre as luzes amareladas da cidade. E nós nos afetávamos sob o girassol noturno que brotou daquele encontro entre a metrópole, a poesia, e nós. 


DJ de S.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Go get it



Não podia negar que aquela boca despertava os seus instintos menos contidos. Queria aqueles cabelos por entre os seus dedos; e ficaria, por horas, ouvindo as suas percepções e apreensões dos conceitos mais profundos dos pensadores clássicos, ou não, que povoam o cotidiano de ambos. A presença dela perturbava a sua performance tão impávida. Querer é a senha para o inicio de mais uma odisseia, sabia. E mesmo assim, e talvez por isto mesmo, se deixou tomar pelo desejo. E o que deseja... 



DJ de S.

The Player



Um jogador que fazia das oportunidades, peças num tabuleiro cósmico. Dificuldades eram possibilidades de lances ousados.  E aquelas pernas distraindo, desviando a sua atenção. Não! O prazer não desvia da missão. Mas, voltará. O magnetismo que exerce a sua presença na alma feminina lhe rende probabilidades generosas demais. Sim! O prêmio será macio, quente, sorridente, impressionado. E a sua mente, atenta, não para de jogar.

DJ de S.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Atitude


Yes!


Adiante





Neste momento eu me sinto fora de todo o mundo. Mas, sei que nele estou. Da solidão do meu escritório no subúrbio eu vejo as luzes brilhantes da cidade que cresce em grande velocidade. Estou só comigo mesmo. E o meu pensamento percorre quilômetros de lembranças sem encontrar o que realmente busco há tanto tempo: Quem eu sou. Anos e meses, dias e horas, minutos, segundos, frações de vida. O corpo sente a força da vivência; a mente se aprimora. É cedo ainda. Ela me telefona. A noite escurece um pouco mais quando faço das ruas a trilha por onde desfilo o meu momento atual. Estou só. E apenas um motor potente divide comigo a missão de ir adiante. Ela insiste e faz o telefone interromper a playlist. Hoje a noite é particular, e não atendo. Também não entendo o meu lugar no campo que busquei frequentar. Nunca fui bom de realidade. Tantas faces, olhares, sorrisos, tantos prazeres. E eu, tentando colocar a cabeça, e a vida, no lugar. Em algum lugar.

DJ de S.