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terça-feira, 21 de maio de 2013

Bonnie e Clyde, Robin Hood e "Mundo Verde" - Inspiração pra "Vida Louca" e Motivação pra Sociólogo estudar



Adrenalina, algum terel, possibilidades de "virada" na vida e uma mudança de status que o capitalísmo nega aos que vem "de baixo". O futebol já tá "viciado" a arte domesticada e monopolizada demais. A subida de status tem sido escalada "na bala". Nas ruas "Zé ninguem" vira "patrão" como registra e documenta a letra do RAP (ritmo e poesia em português). E quem vai negar o potencial afrodisíaco da marijuana quando misturada ao sexo. Os sociológos terão que correr para dar conta dos novos fatos sociais que podem jogar algum papel na explicação dos mais novos (e não tão novos assim) motivos e motivações que abarrotam as ruas de versões street de Bonnie e Clyde. O desvio parece passagem obrigatória para um número cada vez maior de jovens situados às margens das gozolândias da elite endinheirada. E um dos maiores fascínios que alimentaram e alimentam o mito de Robin Hood, não é só o fato do arqueiro de Sherwood tirar dos ricos e dar para os pobres. Mas também, o fato de além disso, ele simbolizar o desafio a uma elite pródiga e mesquinha. E no mais, bandido que tira do rico e fica com o que espoliou, se for pobre, já estará nutrindo dessa forma alguma versão contemporânea do mito em questão. São novos sinais de fumaça hidropônica que surgem na floresta de concreto e vidro. São indícios de que algo mais do que crime, perdição, amoralidade, pecado ou maldade se insinua por entre as vielas pixadas da metrópole, nos alto-falantes dos "carros de malandro" e nas cabeças dos avatares modernos de Bonnie e Clyde. Examinar, conhecer e compreender tais nuances do "cenário louco" da nossa moderna sociedade capitalista urbana, se não contribuir para mudar as coisas, pelo menos tem o potencial de uma instigante aventura em meio à "fauna" de "monstrões bagdá" e "vidas loucas" e por entre a flora "desviante" que compõe o "mundo verde" que inspira e sensualiza o lugar. 


Johnson Sales.

 

Outsiders


Despertou em meio a trânsitos serenos de lábios deslizantes. Mas não foi assim mesmo que adormeceu? Degustado cada centímetro de significados e sentidos. Não faz sentido. Pensou sem nada dizer. A lua. Tinha a certeza que ela esteve ali. Logo ali por sobre a nuvem, entre os coqueiros, a nos espiar. Essas são coisas que sempre lhe acontecem em momentos assim. Essa sensação de ser espiada em situações íntimas. Mas nada pode macular essa noite quente, na areia em frente ao mar. Normal, estava certa que não era. Mas também, quem o é? Os normais não vivem tais prazeres; não vão tão longe sem maiores objetivos materiais. Somente os desajustados, outsiders e loucos se deixam arrastar pela felicidade. Mesmo que esta não passe de alguns momentos semi-desperta sob lábios a passear. Don Johnson de Sales.

"Às vezes não tenho tanta certeza de quem tem
o direito de dizer quando uma pessoa está louca
e quando não. Às vezes penso que nenhum de nós é
totalmente louco e que nenhum de nós é totalmente
são até que nosso equilíbrio diga ele é desse jeito.
É como se não importasse o que o sujeito faz, mas a
forma como a maioria das pessoas o vê quando ele faz."

WILLIAM FAULKNER, Enquanto eu agonizo
(São Paulo, Mandarim, 2001, tradução de Wladir Dupont).