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terça-feira, 21 de maio de 2013

O Homem vazio



O relógio marcava 3:27 da madrugada. Acordara suando muito e impaciente. Notou que sentia uma terrível sensação de vazio. Se achava um homem vazio! Ele. Não sua vida. Sua vida era plena; cheia de possibilidades, pessoas interessantes e acontecimentos normais e anormais. Mas sua pessoa, essa sim, era destituída de conteúdos relevantes. 

Os muitos relacionamentos amorosos, sexuais, amorosos-sexuais, representavam uma prova inconteste de sua falta de profundidade, já que acreditava que nesse caso, a quantidade denunciava a escassez de qualidade. Foi até a geladeira e serviu-se de um copo de chá gelado. Notou que as paredes da cozinha pareciam úmidas e que a tinta amarela já descascava ameaçando precipitar-se sobre a cerâmica grande, preta e antiderrapante que também já apresentava sinais de desgaste. A casa toda parecia em acentuada decadência. Isto lhe fez pensar em como havia negligenciado aspectos importantes da sua vida nos últimos vinte anos. A vida lhe pareceu nesse instante com uma casa mal cuidada, pelo menos a sua especificamente, um desses imóveis dignos e nobres com uma robusta tradição familiar, com histórias acomodadas nos seus vários cômodos, uma casa que outrora representou a prosperidade e todo o orgulho pouco discricionário da família. Mas que uma vez passada de mão em mão através dos anos, termina por cair em mãos desleixadas de pessoas rasas de conteúdo como ele.

Pensou em fumar um cigarro e desistiu. O mais sensato seria voltar para a cama e tentar dormir e pela manhã procurar algum pintor; ou pedreiro; ou bombeiro hidráulico; ou carpinteiro; qualquer profissional desses que se encontra nesses catálogos de serviços de bairro ou na internet e começar uma reforma na casa.

Quanto a sua propria vida? Provavelmente ainda seguiria descascando a textura amarelada por algum tempo. Afinal, profissionais para consertá-la, até existem. Mas a reforma, para funcionar de verdade, terá que ser feita por ele mesmo e contar com insumos e materiais que atualmente acredita estarem em falta já que se considera um homem vazio.

Don Johnson de Sales.



segunda-feira, 8 de abril de 2013

Sobre Homens, Macacos e Dawin




Falar: O Homem é descendente do Macaco. E dizer: Tanto o Homem como o Macaco descendem de um mesmo tronco evolutivo. É bem diferente. né não?

Pois foi isso que *Charles Robert Darwin realmente falou.

Antes de Darwin a ciência se retorcia em torno da crença religiosa segundo a qual todos os seres vivos tinham sido criados por Deus, cabendo aos homens apenas dar-lhes nomes. Nenhum cientista teve antes de Darwin argumentos e coragem intelectual de se opor à idéia religiosa da criação. As descobertas eram pateticamente adaptadas ao dogma religioso. Quando começaram a ser desenterrados ossos de dinossauros e outros animais extintos, o sábio francês Georges Cuvier ofereceu a mais extraordinária dessas adaptações: "São ossos de animais que não conseguiram embarcar na Arca de Noé e morreram no dilúvio bíblico". Darwin quebrou esse paradigma e chocou-se de frente com a hierarquia religiosa protestante e católica. Ele o fez de maneira serena mas irrefutável colocando de pé uma doutrina que se assenta sobre cinco pontos.

 EVOLUÇÃO – O mundo vivo não foi criado nem se recicla perpetuamente. Os organismos estão em um lento mas constante processo de mutação.

O ANCESTRAL COMUM – Todo grupo de organismos descende de um ancestral comum. Os homens e os macacos atuais, por exemplo, divergiram de um mesmo ancestral, há cerca de 4 milhões de anos. Todos os seres vivos, em última instância, descendem de uma simples e primitiva forma de vida – a chamada "ameba original".

MULTIPLICAÇÃO DAS ESPÉCIES – As espécies vivas tendem a se diferenciar com a passagem das eras. Darwin desenhou a primeira "árvore da vida" em que espécies "tronco" vão dando origem a outras que saem do veio principal como "galhos".

GRADUALISMO – As populações se diferenciam gradualmente, de geração em geração, até que as espécies que seguiram por um "galho" da árvore da vida não mais pertençam à mesma espécie do "tronco" e de outros "galhos".

SELEÇÃO NATURAL – É a teoria essencial do darwinismo. Ela se baseia no fato de que os seres vivos sofrem mutações genéticas e podem passá-las a seus descendentes. Cada nova geração tem sua herança genética colocada à prova pelas condições ambientais em que vive. A evolução é oportunista e randômica. O que é isso? Primeiro, o processo evolutivo seleciona (ou seja, mantém vivos e com mais chance de passar adiante seus genes) os animais e plantas cujas mutações são mais favorecidas pelo ambiente em que são obrigados a viver. Segundo, as mutações ocorrem ao acaso, e não com o objetivo de melhorar as chances de sobrevivência de quem as sofre. Um exemplo simples: os peixes primitivos não podiam tirar oxigênio diretamente da água. Alguns passaram por mutações que os dotaram dessa capacidade. Esses últimos se adaptaram melhor à vida aquática e hoje dominam os rios, lagos e oceanos.

*Charles Robert Darwin, FRS foi um naturalista britânico que alcançou fama ao convencer a comunidade científica da ocorrência da evolução e propor uma teoria para explicar como ela se dá por meio da seleção natural.


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