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sexta-feira, 26 de abril de 2013

"Bicho de Sete Cabeças" - Perversidade sem limites

 

Planalto apoia internação à força de dependentes de drogas no País

Proposta que permite a internação compulsória deve ser votada no próximo mês na Câmara dos Deputados e tem apoio do governo federal

A internação deverá ser permitida em todo o País, desde que seja feita com a família pedindo e o médico determinando a internação. Em caso de ausência absoluta de um familiar, a internação involuntária poderá ser feita por pedido de um agente público vinculado ao sistema de saúde ou sistema de proteção social. A especificação foi feita para evitar que a internação involuntária possa ser pedida por um agente policial.
A medida está no projeto do deputado Osmar Terra (PMDB-RS), que deve ser votado no dia 8. Ele defende a internação involuntária do dependente de drogas como forma de antecipar o início do tratamento. O deputado lembrou que esse tipo de internação só poderá ser feito em ambiente hospitalar e pelo período de 15 dias a seis meses. O prazo máximo foi ampliado por acordo partidário.

Postos de saúde
 
Segundo o parlamentar, na reunião no Planalto, o governo pediu que fosse incluído no texto que todos os postos de saúde sejam obrigados a encaminhar a internação involuntária, tornando-se porta de entrada para o atendimento. Com isso, o posto de saúde não poderá se negar a fazer o atendimento.

Nesse caso, o médico ouvirá a família, avaliará o caso e, após assinatura do termo de pedido de internação dos familiares, ele determinará a internação e encaminhará o paciente para o local específico. O texto prevê ainda que, em caso de internação involuntária, em até 72 horas o Ministério Público terá de ser informado sobre a entrada do paciente, assim como ser comunicado da alta.

A internação involuntária é um tema polêmico e sofre crítica de alguns setores da sociedade, uma vez que permite que o dependente químico seja internado para tratamento sem que um juiz autorize. No caso das comunidades terapêuticas, por exemplo, as internações só podem ser voluntárias. As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

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Psicólogos se colocam contra internação compulsória

 

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Homem de Ferro, Chaplin e Sustentabilidade

 

Robert Downey Jr. diz ter usado Chaplin como inspiração para humor de "Homem de Ferro 3"

Estéfani Medeiros
Do UOL, em Los Angeles
O ator Robert Downey Jr., astro da franquia "Homem de Ferro", afirmou ter usado Charles Chaplin como inspiração para o humor do terceiro filme da franquia, que será lançado nesta sexta-feira (26) no Brasil. O artista de 48 anos conversou nesta terça-feira (23) com o UOL em Los Angeles durante exibição do longa para a imprensa.

"Definitivamente, ainda sou influenciado pelo humor do Chaplin, é uma grande referência e também uma inspiração para esse filme", disse o ator, que já interpretou o ícone do cinema mudo na cinebiografia "Chaplin", de Richard Attenborough, que rendeu ao ator uma indicação ao Oscar de melhor ator em 1993.

Depois de seis anos identificado com um papel que recuperou sua carreira, Downey Jr. ainda identifica espaço na franquia para desenvolver ainda mais a sua versão do milionário excêntrico Tony Stark.

"Aprendi muito com o personagem durante esses seis anos de franquia, é tudo sobre crescimento", conta o ator, que somente discorda dos caminhos que o personagem playboy toma. "Se eu tivesse o conhecimento e o dinheiro de Tony Stark, provavelmente o usaria em iniciativas sustentáveis."

Sobre um bom prefeito




Por Fábio Campos (Jornalísta do OPovo).

A receita do bom prefeito

Não há um só candidato preparado para assumir plenamente as suas responsabilidades urbanas
A cada eleição municipal, venho apontando que os candidatos a prefeito apenas reproduzem a ladainha detectada nas pesquisas de opinião. Saúde, educação, transporte... As obviedades de sempre. Quando falam em segurança pública só raciocinam no limite paupérrimo do tema “guarda municipal”. Ou seja, aumentar o efetivo. Nada mais.

Infelizmente, a nossa política não produziu massa crítica capaz de ir além. Não há um só candidato preparado para assumir plenamente as suas responsabilidades urbanas. Na campanha eleitoral, nem sequer são capazes de garantir ao distinto público que vão fazer com que as leis em vigor, que são frouxas, sejam respeitadas.

Temem perder voto. Temem contrariar interesses. No poder, já de olho na próxima eleição e em seus projetos políticos pessoais, são permissivos, tolerantes e negligenciam o respeito às leis urbanas. Buscam sempre um tal de consenso que, invariavelmente, atropela as regras urbanas e os melhores interesses da cidade, além de, no fim das contas, beneficiar aqueles que desrespeitaram as regras.


O bom prefeito é aquele que não tolera invasões de terrenos públicos e privados, que não consente a privatização dos espaços públicos pela turba de comerciantes ricos, pobres e remediados. O bom prefeito é aquele que tem como bíblia o livrinho onde estão escritas todas as regras urbanas e que trabalha para aprimorá-las.

O bom prefeito precisa acabar definitivamente com esses lamentáveis TACs (Termos de Ajuste de Conduta). Trata-se de uma invenção não prevista em nossa Constituição que servem para remediar o que não tem remédio.

Um TAC é o seguinte: o poder público foi permissivo e incompetente para impedir, por exemplo, que um prédio irregular fosse erguido. Feito isso, inicia-se uma negociação com os infratores. O Ministério Público participa da panaceia. Os infratores pagam uma espécie de fiança e pronto. Tudo resolvido.

O TAC é como a venda de indulgência. É só pagar e o infrator está perdoado. Que se lixe a lei, que se lixe a cidade. Esse pagamento, que é feito aos cofres públicos, é usado até para equipar um órgão. Comprar computadores, por exemplo. O dano urbano e/ou ambiental continuará. Ficará como um símbolo para que muitos outros sigam a mesma linha.

O dia em que a Prefeitura perseverar na demolição pura e simples de um prédio irregular, a nossa cidade vai se encher de júbilo. Na linha oposta do TAC, será também exemplar. Os infratores de sempre vão recuar. Uma nova cultura urbana se estabelecerá.

A atuação do prefeito, no que se relaciona às regras urbanas, tem forte relação com o combate à violência. Um prefeito que for firme nessa área conseguirá instituir o tão esperado clima de paz e de ordem na cidade.

terça-feira, 23 de abril de 2013

“Para que trabalhar?” - Um debate que vale a pena fazer!

 

 Robert Nielsen vive de benefícios desde 2001: não quer "trabalhos degradantes" e comprou até apartamento

Segunto o New York Times, Com benefícios sociais generosos, Dinamarca sofre com "preguiçosos"

País reconsidera auxílio a desempregados, estudantes e idosos para lidar com a crise

 

Tudo começou como um experimento para provar que dificuldades e pobreza ainda faziam parte da Dinamarca, aquele país rico e distante, mas o experimento deu errado. Visite uma mãe solteira de dois filhos vivendo sob os cuidados da seguridade social, propôs um membro liberal do Parlamento a um adversário político cético, e veja por si mesmo o quão difícil é viver assim.

Eles descobriram que a vida sob o bem-estar não era tão difícil assim. A mãe solteira de 36 anos de idade, que recebeu o pseudônimo de "Carina" na mídia, tinha mais dinheiro para gastar do que muitos dos trabalhadores período integral do país. Ao todo, ela recebia cerca de US$ 2.700 mensais (cerca de R$ 5,5 mil), e estava no bem-estar social desde que tinha 16 anos de idade.

Nos últimos meses, os dinamarqueses não prestaram mais tanta atenção ao caso, e acreditam que apesar de tudo a situação de Carina é lamentável. Mas mesmo antes de sua história chegar às manchetes, há um ano e meio, eles estavam profundamente envolvidos em um debate sobre se o estado do bem-estar social do país, talvez o mais generoso da Europa, havia se tornado generoso demais, o que prejudica a ética de trabalho do país. Carina ajudou a desequilibrar essa balança.

Com pouco barulho ou protesto político – ou aviso no exterior – a Dinamarca resolveu rever os direitos, tentando pedir para que os dinamarqueses trabalhassem mais ou durante mais tempo ou ambos. Enquanto grande parte do sul da Europa foi atinginda por greves e protestos à medida que seus credores forçam medidas de austeridade, a Dinamarca ainda tem classificação de risco AAA.

Mas as perspectivas de longo prazo para o país são preocupantes. A população está envelhecendo e, em muitas regiões, as pessoas sem emprego agora superam o número de empregadas.

Algumas dessas pessoas são resultado de uma economia deprimida, mas muitos especialistas disseram que um problema mais básico é que uma grande proporção de dinamarqueses não estão participando da força de trabalho – sejam eles estudantes universitários, jovens pensionistas ou beneficiários do bem-estar social como Carina, que depende do apoio do governo por simples comodismo.

"Antes da crise, havia uma sensação de que sempre teríamos cada vez mais e mais riquezas", disse Bjarke Moller, o editor-chefe de publicações para Mandag Morgen, um grupo de pesquisa em Copenhague. "Isso não é mais verdade. Hoje, há uma série de pressões sobre nós. Precisamos ser uma sociedade ágil para sobreviver.”

“ Uma trabalhadora dinamarquesa conta que a irmã vivia de benefícios, ganhava mais e perguntava: "Para que trabalhar?"
 
O modelo dinamarquês de governo é praticamente uma religião no país, e produziu uma população que reivindica regularmente estar entre a mais feliz do mundo. Até mesmo políticos conservadores do país não estão sugerindo livrar-se dele.

A Dinamarca tem um dos mais altos impostos sobre a renda do mundo, com a alíquota mais alta, de 56,5%, atingindo quem ganha acima de US$ 80 mil (cerca de R$ 160 mil) por ano. Em troca, os dinamarqueses recebem uma rede de segurança "do berço ao túmulo", que inclui sistema gratuito de saúde e educação (inclusive universitária), além de indenizações robustas mesmo para os mais ricos.

Pais de qualquer faixa salarial, a propósito, ganham cheqyes trimestrais do governo para ajudar no cuidado com as crianças. Os idosos ganham empregada grátis caso precisem, mesmo se forem ricos.

Mas, atualmente, poucos especialistas no país acreditam que a Dinamarca pode pagar pelas regalias que oferece. Por isso, a Dinamarca está planejando reequipar-se e mexer com as taxas de imposto, tendo em vista os novos investimentos do setor público e, a longo prazo, tentando incentivar cada vez mais pessoas – jovens e idosas – para viverem sem os benefícios do governo.

"Antigamente as pessoas nunca pediam ajuda a não ser que precisassem”, disse Karen Haekkerup, ministra dos assuntos sociais e de integração, que foi honesta a respeito do assunto. “Foi oferecida uma pensão para a minha avó e ela se sentiu ofendida. Ela não precisa.”

"Hoje as pessoas não têm essa mentalidade. Elas acham que esses benefícios fazem parte de seus direitos. Os direitos têm se expandido cada vez mais e nos trouxeram uma boa qualidade de vida, mas agora precisamos voltar para os direitos e os deveres. Todos nós temos que contribuir”, afirmou.

Em 2012, pouco mais de 2,6 milões de dinamarqueses entre 15 e 64 anos trabalhavam, 47% da população total e 73% da população nessa faixa etária. Nos EUA, 65% das pessoas em idade de trabalhar estão empregadas, mas as comparações enganam, porque muitos dinamarqueses trabalham poucas horas e todos usufruem de pausas como longas férias e extensas licensas maternidade, para não mencionar o fato de que o salário mínimo é de US$ 20 (R$ 40) a hora. Se o ranking fosse de horas trabalhadas por ano, os dinamarqueses ficariam muito atrás.
Getty Images
Estudantes do país recebem, por seis anos, salário de R$ 1.980 para completar curso – que é gratuito
O governo já reduziu planos de aposentadoria antecipada. Os desempregados costumavam receber benefícios durante até quatro anos. Agora o número foi reduzido para dois.

Estudantes verão os próximos cortes, a maioria em recursos para que ingressem no mercado de trabalho mais rapidamente. Atualmente, eles têm direito a seis anos de salários, cerca de US $ 990 por mês, para completar um curso de cinco anos, que, naturalmente, é gratuito. Muitos demoram ainda mais para terminar, trancando seus estudos para viajar e para fazer estágios antes e durante seus estudos.

Na tentativa de encolher o bem-estar social, o governo está se concentrando em fazer com que pessoas como Carina não existam no futuro. Ele propõe cortes de subsídios de bem-estar para quem tem menos de 30 anos e checagens mais rígidas para ter certeza de que os "ajudados" tentaram empregos ou programas de ensino antes de apelarem para benefícios do governo.

Autoridades também questionam o grande número de pessoas recebendo cheques para deficientes por longos períodos. Cerca de 240 mil pessoas – ou 9 % da força de trabalho em potencial – tem recebido auxílio de deficiência durante toda sua vida, e aproximadamente 33.500 têm menos do que 40 anos. O governo propôs acabar com esse status para os menores de 40 anos, a menos que tenham uma condição física ou mental que seja grave o suficiente e os impeça de trabalhar.

Em vez de oferecer cheques de deficiência, o governo pretende criar uma "equipe de reabilitação", que poderiam incluir aconselhamento, treinamento de habilidades sociais e de educação, bem como um emprego subsidiado pelo Estado, pelo menos no início. A ideia é fazer com que trabalhem, pelo menos meio período ou enquanto estudam.

Carina não foi a única pessoa que demonstrou publicamente ter usufruído do sistema de bem-estar social da Dinamarca. Robert Nielsen, 45, foi manchete em setembro do ano passado ao admitir que estava vivendo com ajuda do estado de bem-estar social desde 2001.

Nielsen disse que não era deficiente, mas não tinha intenção de aceitar um emprego degradante, tais como trabalhar em um restaurante fast-food. Ele se deu muito bem ao entrar para o bem-estar social, disse ele. Conseguiu até comprar um apartamento.

Ao contrário de Carina, que não vai mais dar entrevistas, Nielsen, chamado de "Robert Preguiçoso" pela mídia, parece estar gostando da atenção. Ele disse que é bem recebido na rua o tempo todo. "Felizmente, eu nasci e vivo na Dinamarca, onde o governo está disposto a apoiar meu estilo de vida", disse ele.

Alguns dinamarqueses disseram que a existência de pessoas como Carina e Nielsen não surpreende. Lene Malmberg, que vive em Odsherred e trabalha meio período como secretária, apesar de uma grave lesão cerebral que afetou sua memória de curto prazo, disse que a história de Carina não era novidade para ela.
Em um determinado momento, disse ela, antes do acidente, quando trabalhava em período integral, sua irmã estava recebendo benefícios e ganhava mais dinheiro do que ela. "Eu concordo que de alguma maneira o sistema está errado", disse ela. "Eu queria trabalhar, mas minha irmã dizia: “Para que trabalhar?”

* Por Suzanne Daley


Fonte:  http://economia.ig.com.br/2013-04-23/com-beneficios-sociais-generosos-dinamarca-sofre-com-preguicosos.html

Se cada dia cai



Se cada dia cai, dentro de cada noite, há um poço
onde a claridade está presa.
há que sentar-se na beira
do poço da sombra
e pescar luz caída
com paciência.

( Pablo Neruda )




Sobre linchamentos públicos e Facebook (Por *LULI RADFAHRER)

Quem você pensa que é para me julgar?

O Facebook está cada dia mais próximo de uma aldeia global. Infelizmente está mais para aldeia do que para global. Pouco importa a capacidade da rede de conectar pessoas e ideias ao redor do mundo, boa parte do tempo empenhado ali é desperdiçada em fofocas e linchamentos públicos.

Os covardes estão cada vez mais valentes no mundo digital. Protegidos (ou melhor, escondidos) das consequências de uma verdadeira interação social, estimulados a dizer a primeira coisa que lhes passar pela cabeça e apoiados pelo reforço de um grupo intolerante e fofoqueiro que parece não ter mais nada a fazer, eles não economizam deboches, insultos e humilhações variadas.

Praticamente não há dia sem julgamento. É o blog da babá, a mulher que transou na praia, a apresentadora de TV acima do peso... Como velhas fofoqueiras debruçadas em suas janelas a vigiar o que acontece na praça, pessoas modernas, informadas, aparentemente bem-educadas, conscientes e esclarecidas, por falta de assunto nas mídias sociais, não perdem uma oportunidade para crucificar o próximo.

O diferente é alvo de ataques e repetidas humilhações ou depreciações feitas por aqueles que buscam a popularidade e o reconhecimento à base de intolerância. Chame a agressão de bullying, stalking ou assédio, pouco importa. No espetáculo das redes, todos fazem o papel de espectador — e, como no Big Brother, se dedicam ao voyeurismo do grotesco, que seja para reclamar de sua repugnância. Quase ninguém sai em defesa da vítima. A maioria age como uma plateia ou torcida.


Editora Globo

O resultado é triste: ao transformar todo mundo em celebridade e todo perfil em palco, as redes que chamamos de sociais deixam seus usuários cada vez mais sós, intolerantes e mimados, enclausurados em seus reinos unitários, ranzinzas como velhas bruxas, cheios de “amigos” mantidos a uma cuidadosa distância.

Ao interagir com o mundo por interfaces, aos poucos perde-se a capacidade de compreender o outro, de tentar imaginar seu ponto de vista. Quem se isola e se deixa moldar pelo grupo que frequenta acaba por perder a identidade e se tornar um zumbi, preso ao brilho das múltiplas telas, escrevendo qualquer coisa para mostrar que está vivo, esperando ansiosamente por resposta.

A tecnologia, não se pode esquecer, é só uma ferramenta. É o uso que se faz dela que traz o seu verdadeiro valor. Quando as pessoas com quem se convive são reduzidas a uma foto e um conjunto de linhas de texto, fica muito mais fácil atacá-las, ignorá-las, julgá-las. Ou esquecê-las.

* LULI RADFAHRER é Ph.D. em comunicação digital na ECA-USP, onde dá aula há mais de dez anos. Trabalha com internet desde 1994 e já passou por (e fundou) várias empresas da área.


Fonte: Revista Galileu. 


Livros livram da prisão: Presidiários de São Paulo podem trocar tempo de prisão por livros

 

Crédito da foto: Shutterstock

No programa recém-aprovado, 30 dias de leitura reduzem 4 dias de pena

Foi aprovada pelo corregedor geral do Tribunal de Justiça de São Paulo, José Renato Nalin, uma mudança no artigo 126 da Lei 7.210/84. Agora, a lei que autorizava a diminuição da pena de detentos em troca de dias de trabalho, permite que os presidiários também troquem dias nas penitenciárias por sessões de leitura. 

No programa, uma sessão de 30 dias de leitura reduz a pena de cada detento em 4 dias. Funciona da seguinte forma: o presidiário recebe um livro (literário ou científico) e, dentro de um mês, deve terminar sua leitura. Para provar que leu e entendeu a obra, ele também deve entregar uma resenha sobre ela. Possivelmente, os trabalhos serão lidos pelos próprios autores. 

Fonte: Revista Galileu Via Catraca Livre

Consumismo e Amizade - Amigos te deixam menos pobre

Sem amigos a gente não é nada, só uma tentativa frustrada de ser feliz. E a ciência vive confirmando isso – diz até que solidão pode mesmo matar. Mas seus amigos não te deixam “apenas” feliz, eles também podem deixar você um pouco menos pobre.

Pesquisadores da Universidade Tilburg, na Holanda, convidaram voluntários para quatro experimentos. A ideia era fazer com eles se sentissem excluídos ou aceitos pelo grupo em cada um das atividades. Na sequência, os participantes podiam comprar, simbolicamente, alguns itens das outras pessoas.

E, olha só, quanto mais isolada uma pessoa se sentia, maior era o seu impulso consumista. Eles também tentavam alinhar seus gostos com os de outro conhecido – numa tentativa desesperada de se sentir parte de alguma coisa.

É que se sentir excluído definitivamente não deixa ninguém feliz. Aí vale tudo para se integrar a uma turma, mesmo que isso custe uma bolada. Ou talvez seja ainda uma tentativa infeliz de preencher a solidão com coisas materiais.

Tristeza, não? Melhor cuidar dos amigos que você tem.
(Via Live Science).


Publicado originariamente em:   http://super.abril.com.br/blogs/cienciamaluca/seus-amigos-te-deixam-menos-pobre/  por Carol Castro.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Vigiar e Punir - Nunca Foucault foi tão necessário ao nosso pensamento




Aos que, por ignorância, defendem absurdos como aumento das penas, redução da maioridade penal, criminalização da pobreza, internação compulsória de dependentes químicos e outras medidas punitivas semelhantes, recomendo a obra do filósofo francês Michel Foucault. Leiam "Surveiller et Punir: Naissance de la prison" e se ainda restar alguma dúvida, recomendo "Histoire de la folie à l'âge classique" ou em português: "História da loucura na idade clássica".


Vigiar e punir (em francês: Surveiller et Punir: Naissance de la prison) é um livro do filósofo francês Michel Foucault, publicado originalmente em 1975 e tida como uma obra que alterou o modo de pensar e fazer política social no mundo ocidental. É um exame dos mecanismos sociais e teóricos que motivaram das grandes mudanças que se produziram nos sistemas penais ocidentais durante a era moderna. É dedicado à análise da vigilância e da punição, que se encontram em várias entidades estatais (hospitais, prisões e escolas). Foca documentos históricos franceses, mas as questões sobre as quais se debruça são relevantes para as sociedades contemporâneas. É uma obra seminal que teve grande influência em intelectuais, políticos, activistas sociais e artistas.
Foucault muda a ideia habitualmente aceita de que a prisão é uma forma humanista de cumprir pena, assinalando seis princípios sobre os quais assenta o novo poder de castigar:
  • Regra da quantidade mínima
  • Regra da idealidade suficiente
  • Regra dos efeitos (co)laterais
  • Regra da certeza perfeita
  • Regra da verdade comum
  • Regra da especificação ideal
A partir destas, o delinquente pode ser definido em oposição ao cidadão normal, primeiro como louco, depois como meliante, malvado, e finalmente como anormal.
O livro tem quatro partes, intituladas "Suplício", "Punição", "Disciplina" e "Prisão".

Se depois de ler atentamente essas duas obras de Michel Foucault, você ainda continuar defendendo suas antigas ideias conservadoras, pelo menos, saberemos que não será mais por ignorância. Fica a dica!

A foto acima pertence ao blog "Viver a Filosofia" que também oferece link para o download do livro "Vigiar e Punir": http://viverafilosofia.blogspot.com.br/2012/06/download-foucault-vigiar-e-punir.html

Contra a redução da maioridade penal



Após 23 anos de aprovação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), tramitam no Congresso Nacional aproximadamente 30 propostas de leis e emendas constitucionais, sugerindo a redução da maioridade penal. Os projetos de lei retornam com forte apelo social para discussão nos parlamentos, especialmente quando algum ato infracional cometido por adolescente ganha repercussão nacional, destacado, sobretudo, pela grande mídia.

O sistema carcerário e socioeducativo hoje se encontra superlotado e avança para uma ampliação ainda maior no número de detentos. Ressalte-se que a maioria dos que ali se encontram são jovens na faixa de 16 a 29 anos. Se partirmos da premissa que o maior encarceramento da juventude no nosso País reduzirá os índices de violência, o Brasil devia figurar como um dos países menos violentos do mundo, pois além sermos um país com uma população carcerária gigantesca e que a cada ano aumenta os seus níveis, somos também o 4º país do mundo a cometer violência contra as crianças e adolescentes. Entre 1980 e 2010 tivemos um aumento em 346% do número de mortes de crianças e adolescentes, segundo o Mapa da Violência 2012.

Segundo dados da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, o Brasil tem hoje cerca de 20 mil adolescentes recolhidos em unidades de internação e delegacias especializadas. No Ceará, de acordo com o segundo monitoramento do sistema socioeducativo, feito em 2011 pelo Fórum DCA, o levantamento apontou que existem atualmente 958 adolescentes privados de liberdade, em 13 centros educacionais no Estado. Esses dados desmitificam a ideia de que o ECA protege demais e que, portanto, adolescentes que cometem atos infracionais não são responsabilizados.

A proposta de reduzir a idade penal, ou seja, de termos cada vez mais jovens no sistema penitenciário, não aponta para um futuro de mais respeito aos direitos. Negar direitos não gera direitos! Uma sociedade mais punitiva colherá mais violência.


Laudenir Gomes
comunicacao@cedecaceara.org.br Assessor comunitário do Cedeca Ceará