Pesquisar este blog

terça-feira, 14 de maio de 2013

90 anos. De presente, uma adolescente virgem. (Memória de Minhas Putas Tristes)

"No ano de meus noventa anos quis me dar de presente uma noite de amor louco com uma adolescente virgem. Lembrei de Rosa Cabarcas, a dona de uma casa clandestina que costumava avisar aos seus bons clientes quando tinha alguma novidade disponível. Nunca sucumbi a essa nem a nenhuma de suas muitas tentações obscenas, mas ela não acreditava na pureza de meus princípios. Também a moral é uma questão de tempo, dizia com um sorriso maligno, você vai ver. Era um pouco mais nova que eu, e não sabia dela fazia tantos anos que podia muito bem estar morta. Mas no primeiro toque reconheci a voz no telefone e disparei sem preâmbulos:

— É hoje.

Ela suspirou: Ai, meu sábio triste, você desaparece vinte anos e volta só para pedir o impossível. Recobrou em seguida o domínio de sua arte e me ofereceu meia dúzia de opções deleitáveis, mas com um senão: eram todas usadas. Insisti que não, que tinha de ser donzela e para aquela noite. Ela perguntou alarmada: Mas o que é que você está querendo provar a si mesmo? Nada, respondi, machucado onde mais doía, sei muito bem o que posso e o que não posso. Ela disse impassível que os sábios sabem de tudo, mas não tudo: Virgens sobrando neste mundo só os do seu signo, dos nascidos em agosto. Por que não encomendou com mais tempo? A inspiração não avisa, respondi. Mas talvez espere, disse ela, sempre mais sabichona que qualquer homem, e me pediu nem que fossem dois dias para revirar o mercado a fundo. Eu repliquei a sério que numa questão dessas, e na minha idade, cada hora é um ano. Então não tem jeito, disse ela sem o menor fiapo de dúvida, mas não importa, assim é mais emocionante, merda, deixa que eu telefono em uma hora.


Não preciso nem dizer, porque dá para reparar a léguas: sou feio, tímido e anacrônico. Mas à força de não querer ser assim consegui simular exatamente o contrário. Até o sol de hoje, em que resolvo contar como sou por minha livre e espontânea vontade, nem que seja só para alívio da minha consciência. Comecei com o telefonema insólito a Rosa Cabarcas, porque, visto de hoje, aquele foi o início de uma nova vida, e numa idade em que a maioria dos mortais está morta.


Vivo numa casa colonial na calçada de sol do parque de San Nicolás, onde passei todos os dias da minha vida sem mulher nem fortuna, onde viveram e morreram meus pais, e onde me propus morrer só, na mesma cama em que nasci e num dia que desejo longínquo e sem dor. Meu pai comprou a casa num leilão público no final do século XIX, alugou o andar de baixo para lojas de luxo de um consórcio de italianos e reservou-se este segundo andar para ser feliz com a filha de um deles, Florina de Dios Cargamantos, intérprete notável de Mozart, poliglota e garibaldina, e a mulher mais formosa e de melhor talento que jamais houve na cidade: minha mãe.


O espaço da casa é amplo e luminoso, com arcos de estuque e pisos axadrezados de mosaicos florentinos, e quatro portas envidraçadas sobre uma sacada corrida onde minha mãe sentava-se nas noites de março para cantar árias de amor com suas primas italianas. Dali se vê o parque de San Nicolás com a catedral e a estátua de Cristóvão Colombo, e mais além os armazéns do cais fluvial e o vasto horizonte do rio grande da Magdalena a vinte léguas de seu estuário. A única coisa ingrata na casa é que o sol vai mudando de janelas no transcurso do dia, e é preciso fechar todas elas para tratar de dormir a sesta na penumbra ardente. Quando fiquei sozinho, aos meus trinta e dois anos, mudei-me para a que tinha sido a alcova de meus pais, abri uma porta de passagem para a biblioteca e para viver comecei a vender o que estava sobrando, e que terminou sendo quase tudo, exceto os livros e a pianola de rolos.


Durante quarenta anos fui o domador de telegramas do El Diario de La Paz, tarefa que consistia em reconstruir e completar em prosa indígena as notícias do mundo, que agarrávamos em pleno vôo pelo espaço sideral através das ondas curtas ou do código Morse. Hoje me sustento, mal ou bem, com minha aposentadoria daquele ofício extinto; me sustento menos com a de professor de gramática castelhana e latim, quase nada com a crônica dominical que escrevi sem esmorecimento durante mais de meio século, e nada em absoluto com as resenhas de música e teatro que me publicam de favor nas muitas vezes em que intérpretes notáveis passam por aqui. Nunca fiz nada diferente de escrever, mas não tenho vocação nem virtude de narrador, ignoro por completo as leis da composição dramática, e se embarquei nessa missão é porque confio na luz do muito que li pela vida afora. Dito às claras e às secas, sou da raça sem méritos nem brilho, que não teria nada a legar aos seus sobreviventes se não fossem os fatos que me proponho a narrar do jeito que conseguir nesta memória do meu grande amor.


No dia de meus noventa anos havia recordado, como sempre, às cinco da manhã. Por ser sexta-feira, meu compromisso único era escrever a crônica que é publicada aos domingos no El Diario de La Paz. Os sintomas do amanhecer tinham sido perfeitos para não ser feliz: me doíam os ossos desde a madrugada, meu rabo ardia, e havia trovões de tormenta depois de três meses de seca. Tomei banho enquanto passava o café, bebi uma caneca adoçada com mel de abelhas e acompanhada por duas broas de farinha de mandioca, e vesti o macacão de brim de ficar em casa.


O tema da crônica daquele dia, é claro, eram os meus noventa anos. Nunca pensei na idade como se pensa numa goteira no teto que indica a quantidade de vida que vai nos restando. Era muito menino quando ouvi dizer que se uma pessoa morre os piolhos incubados no couro cabeludo escapam apavorados pelos travesseiros, para vergonha da família. Isso me impressionou tanto que tosei o coco para ir à escola, e até hoje lavo os escassos fiapos que me restam com sabão medicinal de cinza e ervas milagrosas. Quer dizer, me digo agora, que desde muito menino tive mais bem formado o sentido do pudor social que o da morte."


(Trecho do livro "Memórias de Minhas Putas Tristes", de Gabriel García Marquez).


 Leia o livro!

segunda-feira, 13 de maio de 2013

O último bastião da estética literária ?




"...repare, são raros os poetas que podem viver de seus livros. Quase todos são professores, ou agentes comerciais, ou trabalham para o estado, e isto faz com que a poesia se tenha mantido pura. Não existe um subgênero que possamos chamar de poesia comercial, como existe nos romances. O poeta sempe está com a guarda a postos e por isso se diz que são o último bastião da estética literária..."  

Citação atribuida a Mahmud Darwich, poeta palestino no livro A Sindrome de ulisses de Santiago Gamboa.



Fragmentos de Goethe


"Que eflúvio distribuis pelo meu corpo exangue!
Tu, Espírito da Terra, aqui de mim tão perto;
Sinto que as forças nascem em franco desconcerto,
Como se um novo vinho escaldasse o meu sangue.
Dá-me força a, no mundo, em louca ansiedade
Trilhar muitos caminhos e a felicidade
Buscar sozinho em meio a tanta tempestade;
Nem temer do naufrágio a mor calamidade!
Há sombras a bailar nervosas em redor.
Da lua, a luz aos poucos lenta desvanece,
Da lâmpada o clarão enfim desaparece,
Fumega tudo em volta! E rubros raios fulgem
Em redor da cabeça! E impiedoso sopra
Do alto um calafrio,
Que me domina e envolve!
Eu sinto, paira em torno o invocado Espírito!
Revela-te! Revela-te!
Ah! Meu coração aflito!
Por novas emoções
Todos os meus sentidos vibram em convulsões!
Meu coração se entrega... é teu, visão perdida,
Surge, surge, embora eu perca a minha vida!"

Fausto Werther de J.W. Goethe


Estética honesta e incorruptível na arte e na literatura (Marx e Engels)



Será possível o autor escrever contra seus próprios preconceitos ou contra suas preferências? A arte e ou a literatura conseguem impor-se perante o artísta e ou autor?

Friedrich Engels acreditava que sim.

Quando escreve a Margaret Harkness, Engels trata do fato de que Balzac, politicamente monarquista e legitimista, fã da monarquia em declínio, exprima nas suas obras uma concepção oposta a suas preferências e simpatias.

"Não há dúvidas de que, em política, Balzac era legitimista. A grande obra que deixou é uma elegia permanente, lamentando a decomposição inevitável da alta sociedade; todas as suas simpatias vão para a classe condenada a desaparecer. Mas, apesar disso, a sátira nunca é tão contundente nem a ironia nunca tão amarga como quando põe em ação, precisamente, os aristocratas, esses homens e mulheres por quem sentia uma simpatia tão profunda."

Balzac, de forma constrastante com suas preferências e posições políticas, apresenta os republicanos como os herois da época. Sobre isso, Engels escreve:

"O fato de Balzac ter sido forçado a ir contra as próprias simpatias de classe e contra seus preconceitos políticos, o fato de ter visto o fim inelutável de seus tão estimados aristocratas e de os ter descrito como não merecendo melhor sorte, o fato de ter visto os verdadeiros homens do futuro no único local onde, na época, podiam ser encontrados - tudo isso considero como um dos maiores triunfos do realismo e uma das características mais notaveis do velho Balzac."

A identificação dessa característica ou de sua significação, foi feita e analisada por Karl Marx e Friedrich Engels que a identificaram como honestidade estética incorruptível, desprovida de vaidade, presente apenas nos escritores e artístas verdadeiramente grandes.

Afinal, alguns dos grandes realistas da história da literatura como Shakespeare ou Goethe, como Balzac, não foram politicamente de esquerda.

Para quem desejar aprofundar-se mais no tema e conhecer mais sobre a visão de Marx e Engels sobre estética, cultura, arte e literatura, recomendo o livro Cultura, arte e literaura-textos escolhidos, da Editora Expressão Popular).

Boa leitura!

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Deep Web - O lado Bom

 

 Anonimato para os indivíduos, transparência para os poderosos: Assange e a Deep Web dividem o mesmo lema //Crédito: Wikipedia

Nem tudo são trevas

A infame versão underground da internet tem mais a oferecer do que uma janela para os demônios da Humanidade. Saiba como ela protagonizou os mais recentes (e positivos) acontecimentos históricos do século XXI

por João Mello 
 
Há quem diga que o Google só consegue rastrear 1% do que existe online. Os outros 99% estariam na chamada Deep Web. Você já deve ter ouvido falar dela – e, se ouviu, provavelmente ficou em choque. Canibalismo e necrofilia são duas palavras comumente associadas à essa espécie de internet paralela, e servem como base para se ter uma noção do tipo de perversidade que se passa por lá.

Mas será que a internet paralela não é essa que a gente usa e a internet real é a própria Deep Web? Essa hipótese parece imunda se você pensar nas coisas macabras que existem por lá, mas talvez seja preciso ir além e ver que tem muita coisa boa sendo feita ali embaixo. Você vai esbarrar em um tráfico de drogas aqui, um assassinato ali, a conexão é bem mais lenta, mas sabendo navegar (ou seja: sabendo onde não clicar) a experiência pode ser muito mais enriquecedora do que estamos acostumados.

Há sempre um lado que pesa e outro lado que flutua

Na Deep Web tudo funciona na base de fóruns, exatamente pra dificultar o rastreamento por parte das autoridades. Você não vai encontrar sites bonitinhos. Você não vai encontrar muita coisa bonitinha (fotos de gatinhos trapalhões ficam restritas à web nossa de cada dia) tanto na estética como no conteúdo: apenas listas com um layout de internet do século XX, remetendo a tópicos desconcertantes, assombrosos ou repreensíveis – pegue o adjetivo mais sombrio que lhe ocorrer, coloque-o em cima do ombro e se prepare pra ser apresentado: “Oi, eu sou a Humanidade e quando não tem ninguém olhando é isso que eu faço”.

Claro que a parte bizarra da Deep Web é alimentada e consumida por gente de alma depravada e de vontades condenáveis em quase todas as religiões e épocas. Mas será, será mesmo, que é só isso?

Na internet normal você tem segurança, mas não tem anonimato. Na Deep Web você não tem segurança, mas tem anonimato. E esse exagero de privacidade da Deep Web pode ser usado para fins bem menos espúrios do que pedofilia, estupro e encomenda de assassinatos. Quer dizer, se a sociedade não está pronta para ver criancinhas mortas (é bom que não esteja), talvez ela também não esteja preparada para coisas como nível zero de censura ou documentos governamentais abertos ao público (ia ser bom se ela estivesse).

Muitos correspondentes internacionais se comunicam com suas respectivas redações por meio da Deep Web. Países como Irã, Coreia do Norte e China costumam controlar a internet convencional, sobretudo se quem estiver navegando nela for um jornalista estrangeiro. Nesse caso, usar a Deep Web é um jeito de burlar a censura. Especialistas acreditam que a própria Primavera Árabe não teria existido sem a Deep Web.

O Wikileaks e o Anonymous dificilmente teriam incomodado tanta gente poderosa se não fosse pela versão underground da internet. É lá que as quebras de sigilo começam – e foi graças a esse espaço que os próprios Anonymous divulgaram a identidade de quase 200 pedófilos no final de 2011.

Existem até agências que se dedicam exclusivamente a monitorar a Deep Web. Assim como assessorias de imprensa têm que rastrear a internet em busca de menções online de seus clientes, a Bright Planet vasculha a DW para encontrar virtualmente qualquer coisa. Em seu site, eles dividem suas ações em três: Governo (“ajudamos o Serviço de Inteligência dos EUA na Guerra Contra o Terror), Negócios (“seu negócio depende de inteligência em tempo real sobre coisas como propriedade intelectual”) e Usuários Únicos (“indivíduos encontram dificuldade em usar os mecanismos de busca convencionais”). A Bright Planet não divulga sua cartela de clientes em seu site.

A disseminação de conhecimento e bens culturais na parte de baixo da web também é mais radical do que estamos acostumados. Fóruns de programação bem mais cabeçudos que os da internet superficial, livros até então perdidos, músicas que são como achados em um sítio arqueológico em Roraima, artigos científicos – pagos na web normal, gratuitos na Deep – Tudo que existe na web, existe de maneira muito mais agressiva na DW. Tanto pro bem quanto pro mau.

3 coisas que você precisa saber sobre a Deep Web:

- Para navegar na Deep Web, as pessoas costumam usar o TOR (The Onion Router), um software que impede que suas atividades online fiquem registradas e sejam bisbilhotadas por quem quer que seja. É o browser mais seguro e privativo - fatores importantes, tendo em vista que a Deep também é pródiga em vírus de todos os tipos e tamanhos.

- O principal jeito de usar a DW, pelo menos para um principiante, é a Hidden Wiki, o Google do subsolo internético. Ele é o índice que vai te levar para os locais em que você desejar. InfoMine e WWW Virtual Library são as plataformas mais recomendadas para busca de conteúdo acadêmico.

- Uma dica recorrente é: enquanto estiver na Deep Web não baixe nada, não fale com ninguém. A internet está cada vez mais censurada e pode ser que a DW seja sim a alternativa para a boa e velha (e nunca vista) liberdade totalitária. Contudo, se você resolver se aventurar de fato, é bom parar um minutinho e pensar em tudo que os homens podem fazer quando não tem ninguém dizendo não.
Fonte: Revista Galileu.

Os maconheiros mais famosos da história mundial

 

Personalidades da Política, Arte, Ciência e Literatura admitiram, ou foram flagradas “com a mão na seda”. Há relatos do uso desde 200 anos antes de Cristo

Os adeptos costumam chamar de “mundo verde”. A maconha é apreciada por figuras famosas mundialmente, que se destacaram por suas histórias de vida. Governantes, artistas, cientistas, poetas, pensadores e filósofos, de diferentes tempos da história até os dias atuais, consumiram a substância, segundo o escritor americano Lester Grinspoon, em seu livro, A Medicina Esquecida.

Pesquisas de arqueólogos britânicos da revista National Geographic concluíram que os faraós egípcios eram grandes apreciadores de suas propriedades. Pesquisadores concluíram o fato ao estudarem escritos antigos e vestígios da planta achados em inúmeras tumbas.

O antropólogo britânico Charles Dolphin concluiu e publicou em sua obra A História da Cannabis, que os Imperadores Liu Chi-nu e Shen-Nung, dos primeiros séculos da China, foram consumidores da erva. Fatos são relatados por historiadores chineses, onde falavam de sua mágica em forma de fumaça. A própria história de seu povo traz um fato interessante sobre a criação do papel, antes feito do cânhamo.

Charles Dolphin também descreve que a Rainha Vitória, da Inglaterra, assim como a nobre sociedade inglesa que fazia parte de seu ciclo de amizades, foram adoradores dos efeitos da “diamba” – como era chamada a maconha pelos escravos africanos. Os fatos são contados em diários e agendas, guardadas no Palácio de Buckingham. Nos dias de hoje, os príncipes Harry e William continuam a tradição, segundo o polêmico jornal inglês The Mirror, que publicou imagens dos filhos da realeza. 

Os quatro garotos de Liverpool, Beatles, enfumaçaram o palácio, certa vez, no auge de seu sucesso, em visita à Rainha Elizabeth. Os próprios artistas relatam o fato em pelo menos 60 livros sobre Paul McCartney, e a história da banda.

A artista plástica Yoko Ono, viúva de Jonh Lennon fez uma série de fotos na cidade de Nova Iorque. As imagens retrataram o líder dos Beatles consumindo a erva,  e hoje fazem parte de suas exposições pelo mundo.  

Jack Herer, escritor e sociólogo americano, afirma que Abraham Lincoln, o primeiro presidente dos Estados Unidos, foi consumidor da erva, além de incentivar massivamente a sua plantação. Mais tarde, o presidente dos EUA George Washington foi um dos maiores plantadores da cannabis em terras norte-americanas. O contemporâneo ex-presidente Bill Clinton, deixou para a humanidade uma das frases mais cômicas relacionadas ao assunto, onde afirmou “Fumei, mas não traguei”. O atual presidente Barack Obama já admitiu que fumou “algumas vezes”.

Segundo o professor de Filosofia da Universidade de Oxford Fritz Allhoff, o poeta, dramaturgo e ativista francês Victor Hugo admitiu em escritos particulares e para os amigos parisienses que seus efeitos ajudavam suas criações, transmitidas do coração ao papel. William Shakespeare, escritor e poeta inglês, também a utilizava para mesmo fim. Oscar Wilde também a idolatrou.

Carl Segan, renomado cientista e escritor, foi um grande defensor do seu uso em inúmeras campanhas ao redor do mundo. O pai da psiquiatria, Sigmun Freud, admitiu que era seu “calmante preferido”, tema esse abordado pelo psicólogo inglês John Gray, no livro Freud, meu Herói . 

Os escritores de obras de suspense e terror clássicos Edgar Allan Poe e Stephen King apreciaram a embriaguez da cannabis, assim como o filósofo Fredreich Nietzshe. Além dele, o novelista e crítico social Henry Charles Bukowski foi um dos maiores maconheiros da história, afirma o pesquisador Brian Preston, em sua publicação, Planeta Maconha.

Considerado um dos maiores atletas de todos os tempos, o americano Michael Phelps, foi flagrado por um paparazzi fumando maconha. O fato teve grande repercussão na mídia mundial, após publicação.

CINEMA
Entrando no universo da sétima arte, o jornalista californiano Jeff Henne pesquisou e encontrou nomes de famosos que fazem uso da cannabis. Henne conviveu décadas nos cenários e escritórios de Hollywood e observou o mundo paralelo. A pesquisa do repórter relata renomados diretores, como Francis Ford Coppolla, Hitchcock, Martin Scorsese, Oliver Stone, Quentin Tarantino. Além desses, a pesquisa inclui nomes como Ridley Scott, David Lynch, David Cronemberg, Stanley Kubrick , George Lucas e Steven Spilberg – que tragaram a fumaça “da verdinha”.

Os atores Julia Roberts, John Belushi, John Wayne, Luke Perry,  Arnold Schwarzenegger, Peter Fonda, Richard Pryor, Jack Black, Steve Martin, Macaulay Culkin, Wesley Snipes, Burt Reynolds, Harrison Ford, Cameron Diaz e Johnny Depp são exemplos do quanto a cannabis está inserida em Hollywood.

MÚSICA
Jeff Henne também cita nomes da música, inclusive existem nomes brasileiros. O mesmo jornalista esteve no Rio de Janeiro onde passou as férias de 2006. Ele admite que a lista de maconheiros é tão extensa de famosos, que poderia ilustrar uma centena de páginas. Tom Jobim, Vinicius de Moraes e Rita Lee são citados na pesquisa.
Ainda no Brasil, a banda Planet Hemp defende seu uso e mudanças na lei, através das letras de Marcelo D2 e outros  membros.

HISTÓRIA
Os efeitos relaxantes e medicinais da curiosa e milenar planta cannabis sativa ainda causam polêmica e discussão na sociedade médica mundial sobre seus benefícios e malefícios. Os derivados da matéria-prima do cânhamo, facilmente se misturam com a história da humanidade. Há relatos chineses do seu uso recreativo e medicinal há mais de 2000 anos antes de Cristo, assim como das antigas sociedades dos Sumérios, Babilônicos e Egípcios. E tem, entre seus defensores, personalidades famosas na sua odisséia.

Uso da erva como ingrediente na produção de materiais náuticos se destacou ainda no Velho Mundo. Há antropólogos e historiadores que afirmam: as cordas que se misturavam entre mastros e velas de navios ingleses, portugueses, espanhóis e holandeses, eram feitos do cânhamo, na época da conquista oceânica. O fato é relatado no Tratado Sobre o Canamo, publicado em Portugal no século XVIII. Na publicação, são citados fatos como: portugueses chegaram ao Brasil através da força do cânhamo – ou melhor, a força de suas cordas navais.


Por Frederico Crispim.

Fonte: Diário da Manhã

 

 

 

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Conhecimento (uma produção plural)



"Qualquer conceituação, portanto, que reduza a dinâmica social do processo de descoberta a condições estáticas, com o homem no singular atuando como o sujeito do conhecimento em determinada situação aqui e agora, estará condenada a nos arrastar a um labirinto epistemológico sem saída, sem nenhuma porta para escaparmos.



O pescador, tentando capturar conexões dos objetos em sua rede, não começa do nada. Não somente o conhecimento dos objetos, mas também o conhecimento de como adquirir e de como avançar o conhecimento dos objetos, de como capturá-los em sua própria rede, de como construir redes e de como construir redes melhores para capturá-los, desenvolveu-se ao longo das gerações; e a rede será passada para ele na medida em que tenha sido desenvolvida em sua sociedade. Em algumas sociedades, certos tipos de conhecimento sobre a aquisição e o avanço do conhecimento, certos tipos de redes conceituais tornam-se regularmente mais apropriados para apreender certos tipos de conexões entre objetos. Qualquer que seja o caso, sempre que uma rede conceitual para a apreensão de tais conexões e a consciência de como se avançar o conhecimento em um campo da experiência dos homens atinjam um nível em que as suas adequações nas interdependências sejam tão grandes a ponto de suas orientações pelo objeto adquirirem vantagem sobre a orientação pelo sujeito, os avanços posteriores nesse campo apresentarão uma medida de autonomia. Elas procederão de modo mais regular do que faziam antes. Sendo mais autônomas em relação às flutuações de curto prazo do desenvolvimento da sociedade, embora, é claro, não sendo nunca completamente independentes delas, elas se tornarão relativamente autossuficientes, e nós poderemos chamar a aquisição do conhecimento naquele campo de ciência."

Norbert Elias in Sociologia do Conhecimento: novas perspectivas.

Maioridade Penal - A mídia "força a barra" pela redução, o cidadão, resiste como pode.



 (Pais e amigos durante o enterro da dentista Cinthya de Souza, 47, queimada durante assalto em São Bernardo do Campo)

O pai da dentista Cinthya de Souza, 46, queimada viva durante assalto em São Bernardo do Campo (na Grande São Paulo), afirma que a redução da maioridade não seria suficiente para combater a criminalidade. 

A solução que ele aponta: 

 "É preciso ensinar valores às crianças", diz pai de dentista queimada.Viriato Gomes de Souza, 70, só vê mudanças com investimento público prolongado em educação.


 Mais da opinião do Sr. Viriato Gomes de Souza:

A redução da maioridade não levaria o recrutamento de cada vez mais jovens?
Isso vai acontecer, vai ser sempre inversamente progressivo. Em outros países, nos Estados Unidos, há prisões especiais para menores, desde os dez, 12 anos já se vai para a prisão. E mesmo assim tem crime lá.

O que o sr. acha da pena para menores infratores?
Ele fica naquele local [Fundação Casa] e não aprende nada, é uma escola da criminalidade. Sai pior.
A gente sabe qual é o nosso modelo prisional, a sociedade sabe que se faz muito pouco para recuperar um egresso. No fim, é um encargo para a sociedade. Enquanto um trabalhador ganha um salário mínimo, um detento custa mais de mil reais por mês.

Não adianta mudar só um regime prisional. A sociedade tem de estudar isso com muita calma. Não adianta fazer só leis, leis, e não aplicá-las.

A sociedade deve aproveitar momentos de comoção parar mudar a legislação?
Os assassinos da Daniella Perez [cuja morte levou à inclusão do homicídio qualificado como crime hediondo] estão soltos, nem chegaram a cumprir a pena toda.

Nesses momentos críticos todo mundo se mobiliza, depois o que acontece é que sai um escândalo e entra outro. O que passou será esquecido.
 



 

terça-feira, 7 de maio de 2013

Agridoce



De fato
foi impreciso o dicionário
e imperfeito o pensamento,
ausente toda semântica
e inato
o despertar
naquela manhã tão natural
quanto a sairavada de gotículas
que umedeceu
aquela palavra dúbia, 
eqüidistante e agridoce
que abalou os fundamentos
do tempo, espaço e clima.
Não há mais dúvidas,
choveu sobre o purgatório
flamejante da espera.
E o orvalho não é nada mais do que o resultado
da respiração extasiada de insuspeito prazer.
É dia! Primeiros minutos pós madrugada fria.

Don Johnson de Sales. 


Uma ilusão chamada “você”

 

Jornalista reúne estudos que provam que nossa mente nos engana de forma frequente — e não há saídas para escapar dessas armadilhas

Você sabe como o mundo funciona, entende os padrões lógicos dos acontecimentos ao redor e compreende o que sente, o que pensa e por que age da forma com que age. Certo? Errado. Sinto lhe informar que não é assim que o seu cérebro funciona. E o livro do jornalista norte-americano David McRaney, Você Não É Tão Esperto Quanto Pensa, traz 48 exemplos dos caminhos pelos quais sua mente pode te enganar.

Leia a entrevista completa: Você é um ser iludido - e ter consciência disso pode facilitar sua vida

Com a premissa de que você, sua personalidade e seus gostos não passam de uma história que seu cérebro inventou para viver melhor (como contava a matéria de capa da GALILEU de abril), McRaney destrincha situações em que o poder de nosso inconsciente fica mais claro. Lista — e explica — dezenas de exemplos pelas páginas do livro.

Como este: desenhe um ponto do tamanho de uma moeda de 10 centavos do lado direito de uma folha em branco. Depois, a uma distância de 5 cm do primeiro ponto, desenhe outro círculo idêntico. Agora feche o olho esquerdo e foque o olho direito no ponto da esquerda. Aproxime o papel do rosto aos poucos. Notou? Eis o resultado de um de seus pontos cegos.

Agora, sem desenhar nada, faça o mesmo com esta revista. Feche o olho esquerdo e foque sua visão em um ponto na parte esquerda da página. Algo desapareceu? Não, certo? E o que acontece com seu ponto cego? O seu cérebro agiu como um Photoshop mental, completando o espaço vazio, mesmo que você não veja nada lá. E isso não se limita à questões físicas como a visão. Ele também preenche as lacunas de seu raciocínio, pegando atalhos para manter você funcionando sem grandes esforços conscientes.

Você pode pensar que avalia seus sucessos e fracassos para tomar decisões. Mas estudos levantados pelo autor mostram que nos consideramos mais bem-sucedidos do que somos — e isso nos faz correr riscos desnecessários. Procrastinar antes de cumprir uma tarefa pode levá-lo a crer que você administra mal seu tempo, mas, de acordo com o livro, o que acontece é que você fracassa na hora de pensar sobre o que pensar e cede a impulsos. O autor mostra como não temos autocontrole e, mais do que isso, como nos enganamos para tornar a vida mais fácil.

No entanto, não há uma fórmula que nos ajuda a contornar todas essas armadilhas do cérebro. Distante do universo dos livros de auto-ajuda, a conclusão de McRaney é que dificilmente podemos escapar destes truques mentais. Mas isso também não é motivo de desespero: a ideia é mostrar que a ilusão é o que nos mantém sãos.

VOCÊ NÃO É TÃO ESPERTO QUANTO PENSA — 48 MANEIRAS DE SE AUTOILUDIR
David McRaney (Leya, R$ 39,90)
   
 
 
 por Luciana Galastri 
 
Fonte:  http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI336610-18543,00-UMA+ILUSAO+CHAMADA+VOCE.html