Pesquisar este blog

domingo, 20 de janeiro de 2013

7% da população de Fortaleza detém 26% de toda a riqueza da cidade; Fortaleza é a quinta cidade mais desigual do mundo

O preocupante quadro da desigualdade social em Fortaleza

As diferenças de renda que apartam a capital cearense a colocou como a 5ª cidade mais desigual do mundo. O dado provocou a primeira promessa de Roberto Cláudio no dia de sua posse: "derrubar a muralha da vergonha"
 


O muro que aparta a Fortaleza dos ricos e a Fortaleza da miséria não tem traço definido. Sabe-se que está ramificado, cortando um sem-número de rincões espalhados pela quarta capital do País. Rígido, ergueu estrutura que hoje consegue separar os que sucumbem com menos de R$ 70 por mês dos que acumulam rendas e luxos milionários.

A muralha até pode delimitar as classes sociais, mas, por vezes, consegue fazê-las coexistirem em mesmo endereço, tornando as diferenças indivisíveis. Nos bairros Meireles, Edson Queiroz e Cidade 2000, por exemplo, há bolsões de miséria imersos em nobres metros quadrados. São comunidades que se formaram e sobrevivem por entre o luxo dos condomínios fechados habitados pelo que se convencionou chamar de classe média/alta fortalezense.

No Meireles, a comunidade do Campo do América resiste. No entorno do Edson Queiroz, o Dendê padece. Na Cidade 2000, a favela do Pau Fininho arqueja com casebres erguidos nos fundos dos mais imponentes condomínios residenciais da Capital. Para além das áreas minimamente assistidas, há ainda uma Fortaleza que adormece sem qualquer atenção do poder público, concentrada essencialmente no subúrbio da cidade.

Uma rápida análise nos indicadores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) denuncia que a Fortaleza escondida na Secretaria Executiva Regional (SER) VI é a que mais carece de atenção. Dos 10 bairros com menor renda média por habitante, seis estão ali. Entre os 10 bairros mais ricos, nove concentram-se num entorno privilegiado da Secretaria Executiva Regional (SER) II. Desse emaranhado de gente com as maiores rendas da cidade, 7% são capazes de se apropriar de 26% da renda pessoal total de Fortaleza.

O reflexo do cenário
Estampando o cenário de contrastes, a capital cearense foi apontada, no último mês de outubro, como a quinta cidade mais desigual do mundo. O dado, que acabara de cair no colo do prefeito eleito Roberto Cláudio (PSB), está no mais recente relatório das Nações Unidas State of the World Cities.

E fez lembrar que na tarde do dia 1º de janeiro, no discurso de posse em seu primeiro dia nas dependências do Palácio do Bispo, no Paço Municipal, RC fazia sua mais recente e desafiadora promessa ao fortalezense: “Quero derrubar a muralha da vergonha em Fortaleza”, anunciava.

Em cenário que coloca a promessa do novo prefeito diante do retrato da extrema desigualdade, O POVO procurou especialistas para tentar prospectar o que é possível executar nos próximos quatro anos para que seja derrubada a muralha que historicamente persiste erguida em Fortaleza. Nas páginas a seguir, caro leitor, você verá que em uma única gestão muito pode ser feito. Contudo, é consenso que será apenas o começo do que pode ser visto em longo prazo - pelo menos quatro governos à frente e uma geração inteira a se desenvolver.

Como

ENTENDA A NOTÍCIA

Quando tomou posse no último dia 1º, em seu primeiro discurso como prefeito, Roberto Cláudio (PSB)disse que o principal objetivo de seu governo era “derrubar a muralha da vergonha” que separa ricos e pobres

NÚMEROS


lugar é a posição de Fortaleza entre as cidades mais desiguais do mundo

7%
da população de Fortaleza detém 26% de toda a riqueza da cidade
Saiba mais

Um dado que agrava a situação de desigualdade extrema em Fortaleza é que a capital cearense é também a cidade mais densamente povoada do País.

Fortaleza chegou a essa condição essencialmente por conta do processo migratório do homem do campo para a Capital, iniciado nos anos 1960.

Como o Ceará não desenvolveu cidades de grande porte que dividissem a população migratória, o emaranhado de gente concentrou-se em Fortaleza.

Ao passo que a cidade recebia novos habitantes, a administração não deu conta de adequar os serviços ao crescimento desordenado da metrópole e da aglomeração.

O descaso provocou um efeito cascata: a criação de áreas faveladas, que hoje não têm estrutura adequada de serviços. Um grande desafio para qualquer gestor que assumir o poder.

Fonte: Jornal O Povo.

Esse é o tipo de postura que agrada ver no Palácio do Bispo! Fortaleza precisa e o povo agradece!


A queda do muro da vergonha tem prazo

Depois que o prefeito Roberto Cláudio prometeu derrubar o muro da desigualdade em Fortaleza, especialistas apontam que os efeitos das políticas executadas agora só serão vistos daqui a cerca de quatro gestões

ANDRÉ SALGADO
Eudoro garante que gestão RC tem ideias para profundas mudanças

Se a intenção do prefeito Roberto Cláudio (PSB) é ver o muro da desigualdade ir abaixo ao longo dos próximos quatro anos, poderá ter uma frustração ao fim de seu mandato. Se, por outro lado, RC projeta ver os resultados de seu esforço daqui a pelo menos 15 anos, a surpresa poderá ser positiva.

De acordo com economistas e especialistas em estudos sobre a pobreza de Fortaleza, será necessária pelo menos uma geração inteira pela frente para que se vejam resultados efetivos de uma política certa, caso ela seja iniciada a partir de agora.

No cerne da questão, estariam investimentos essenciais em educação, saúde e geração de emprego, ao lado dos programas de transferência de renda que hoje já são tocados pelo Governo Federal.

Em seus quatro anos de governo, Roberto Cláudio terá a possibilidade de apontar as diretrizes para que os próximos gestores sigam políticas de resultados. Contudo, apenas se o ciclo de bons exemplos não for interrompido ao longo dos próximos governos, Fortaleza poderá começar a vislumbrar o início da queda da muralha da desigualdade.

“Para conseguirmos identificar resultados, será preciso que sucessivas gestões mantenham as políticas de transferência de renda, em paralelo com a oferta dos serviços básicos e as ações de impacto na educação, saúde e capacitação”, sintetiza o coordenador do Laboratório de Estudos da Pobreza da Universidade Federal do Ceará (UFC), João Mário França.

Rumo certo
Pelo menos no discurso do presidente do Instituto de Planejamento de Fortaleza (Iplanfor), Eudoro Santana, a gestão Roberto Cláudio deverá iniciar pelo rumo certo. A ideia para os próximos quatro anos é investir em políticas para capacitação e geração de emprego, com a meta de garantir renda às famílias que hoje estão em situação de vulnerabilidade. O passo seguinte seria o incentivo à instalação de empresas limpas nos bairros mais periféricos.

Ao lado da capacitação, o governo municipal projeta ampliar o número de famílias assistidas pelos programas de transferência de renda do Governo Federal. “Além disso, há uma série de ideias que estão arroladas em todas as áreas. Com a execução de todos os projetos, aos poucos vamos abrindo horizontes para dar início ao processo de mudanças”, vislumbra. (Raquel Maia - raquelmaia@opovo.com.br)

Fonte:  http://www.opovo.com.br/app/opovo/politica/2013/01/19/noticiasjornalpolitica,2991531/a-queda-do-muro-da-vergonha-tem-prazo.shtml